Brasileiros relatam o desepero e a violência na Bolívia

Após uma escala em Campo Grande, o avião Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira pousou às 16h20 desta sexta-feira na Base Aérea do Galeão, com 80 pessoas resgatadas em La Paz a bordo - 63 brasileiros e 17 estrangeiros. Maria Rita Carvalho Dutra, de 50 anos, auditora fiscal do INSS em São Paulo, era uma delas. Ela conta que, para se proteger, ficou "ilhada" durante cinco dia numa fábrica de macarrão boliviana, com a tia, Alda Dutra Batista, de 64 anos. Elas estavam desde sábado na Bolívia como turistas e tinham um sonho: conhecer Machu Picchu, no Peru. "Ficamos cinco dias praticamente numa gaiola de ouro. Tivemos o azar de estar no lugar errado na hora errada, mas também a sorte de encontrar um boliviano que nos abrigou", disse. Ela disse que conseguiu sair com a ajuda de dois funcionários da fábrica. "Eles nos levaram para o aeroporto de El Alto. De lá, fomos levados para uma base do Exército", disse. Alda chegou mancando. "Andamos 48 quilômetros pedindo socorro". Segundo ela, os bolivianos estavam muito revoltados. ?Muitos camponeses estão com fome. Para eles, não interessa se é criança ou mulher. É tudo gringo. Fomos hostilizadas, eles jogam pedras, paus e atacam com estilingue."Denise Gusmão de 26 anos, e Elaine Costa, de 27, estão há seis anos na Bolívia, cursando medicina na Universidade Nuestra Señora de La Paz. As duas são de Salvador e contaram que cerca de 400 estudantes brasileiros residentes no País estão "desesperados para sair e voltar para o Brasil". "O avião era só para turistas mas conseguimos embarcar porque imploramos para o vice-consul na Bolívia. Tenho um filho em Salvador", disse Denise.Ela conta que o caos no País começou um dia antes do seu exame de grau - necessário para a conclusão do curso. "A gente não saía de casa desde domingo. Só às vezes, às 5h da manhã, para comprar comida." As duas moram juntas, com outros dois estudantes - que ficaram no país - em um apartamento no centro de La Paz. "Muitos brasileiros que não são turistas querem retornar mas não conseguem", disse Elaine.

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