Imagem Adriana Carranca
Colunista
Adriana Carranca
Conteúdo Exclusivo para Assinante

'Brasileiros se adaptam bem às missões de ajuda humanitária'

Cruz Vermelha tenta ampliar número de profissionais que contribuem com a ONG no Brasil

ADRIANA CARRANCA, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2015 | 02h02

O aumento do número de conflitos em todo o mundo e a exigência de operações cada vez maiores e mais complexas para garantir o acesso da ajuda humanitária a territórios dominados por grupos como o Estado Islâmico levou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha a buscar profissionais no Brasil. Na quinta-feira, o diretor global de recursos humanos do CICV, Gherardo Pontrandolf, desembarcou em São Paulo com a missão de convencer mais brasileiros a ingressar no trabalho humanitário. Na avaliação dele, brasileiros se adaptam melhor, são aceitos com mais facilidade e correm menos riscos do que americanos e europeus. A seguir, trechos da entrevista:

Por que recrutar no Brasil?

O CICV é uma organização global, que opera de forma independente e neutra. Para nós, não apenas agir dessa forma, mas sermos percebidos assim é crucial. O Brasil é um país pacífico, sem envolvimento em guerras e com boa imagem lá fora. Brasileiros são bem-vindos em todas as partes e isso é uma vantagem muito grande.

Que qualidades o senhor vê nos profissionais brasileiros?

A primeira é a qualificação. Há universidades muito boas no Brasil, especialmente nas áreas que buscamos. Isso aliado ao fato de o Brasil ter uma imagem boa lá fora são pontos fundamentais. Mas há algo ainda mais importante: eu trabalhei com colegas brasileiros no CICV e como chefe das operações o que eu mais apreciava neles era a capacidade de se adaptar a contextos e culturas diferentes. Os brasileiros respeitam os costumes das sociedades em que estão inseridos, relacionam-se com os estrangeiros sem fazer julgamentos. Isso é fundamental.

Como garantir a segurança das equipes em campo?

Essa é a pergunta difícil e importante. Nós sempre temos de fazer um balanço entre riscos e efetividade. Nosso objetivo é prover ajuda sem intermediários, para garantir independência e neutralidade. Então, temos de ter acesso aos locais em combate. E chegamos muito perto das linhas de combate. Às vezes, temos de cruzá-las. Para isso, em lugares como Afeganistão ou Síria, temos colegas que não fazem nada além de manter contato com todos os grupos armados envolvidos nos conflitos, sejam exércitos oficiais ou grupos rebeldes, porque temos de assegurar que todos saibam quem somos e respeitem o que fazemos.

Há algum lugar onde o CICV não consegue operar hoje?

Não países inteiros. Mas no Iraque, Síria, Afeganistão temos áreas que não podem ser acessadas por funcionários estrangeiros. Isso muda dia a dia, porque a natureza dos conflitos é instável. Fronteiras surgem e desaparecem. Ter acesso às zonas de conflito é uma luta constante e diária.

Tudo o que sabemos sobre:
Cruz VermelhaO Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.