Juan Mabromata/AFP
Juan Mabromata/AFP

Após dizer que brasileiros vieram da selva e argentinos, da Europa, Fernández pede desculpas

Declaração de presidente argentino foi feita durante encontro com o premiê da Espanha, Pedro Sánchez

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2021 | 16h24

O presidente argentino, Alberto Fernández,  pediu desculpas nesta quarta-feira, 9, por ter dito que mexicanos vieram dos índios, brasileiros vieram da selva e argentinos, de barco da Europa. "Eu não quis ofender ninguém", afirmou em sua conta oficial no Twitter. A declaração foi feita durante um encontro com o premiê da Espanha, Pedro Sánchez. 

"Os mexicanos vieram dos índios, os brasileiros vieram da selva, mas nós, argentinos, viemos de barcos. Barcos que vinham da Europa, e assim construímos nossa sociedade", disse Fernández na ocasião.

O presidente argentino creditou sua inspiração a uma frase erroneamente atribuída ao diplomata mexicano e Prêmio Nobel da Paz Octavio Paz, que teria dito “os mexicanos são descendentes de astecas, os peruanos dos incas e os argentinos dos barcos”.

Meios de comunicação locais, no entanto, identificaram que o trecho vem de uma música chamada Llegamos de los barcos, do cantor argentino Litto Nebbia, que diz exatamente as mesmas palavras. 

"Afirmou-se mais de uma vez que 'os argentinos descendem de navios'. Na primeira metade do século 20, recebemos mais de 5 milhões de imigrantes que viviam com nossos povos nativos. Nossa diversidade é um orgulho", escreveu o presidente argentino em seu Twitter. "Eu não quis ofender ninguém, em qualquer caso, peço desde já desculpas a quem se sentiu ofendido ou invisibilizado."

O momento foi registrado em vídeo publicado no Twitter oficial da Casa Rosada. A declaração pode ser ouvida a partir dos 19 minutos.

Embora grande parte da população argentina seja composta por descendentes de imigrantes, muitos deles vindos da Europa no século 19 e 20, o país tem uma importante herança indígena, que mescla as culturas incas, mapuches, patagônicas entre outras etnias. O país também teve mão de obra africana durante seu período colonial.

Na segunda metade do século 19, a Campanha do Deserto (1878-1885), liderada pelo general Julio Argentino Roca, conquistou as estepes do sul do país, amplamente povoada por povos originários. A maioria deles foi aculturada, morta e submetida a trabalhos forçados. Muitos dos escravos afroamericanos argentinos também morreram durante a Guerra do Paraguai (1864-1870). 

Vínculos

O presidente argentino e o premiê espanhol destacaram nesta quarta-feira a importância de União Europeia e Mercosul chegarem a um entendimento sobre o acordo comercial. "Os vínculos entre América Latina e UE são fundamentais", afirmou Sánchez. 

Ele apontou questões ambientais e o combate à pandemia de covid-19 como prioridades. "Entendemos as objeções que os governos podem ter, mas acreditamos que podemos aumentar o desenvolvimento de nossos países, criando uma área comercial única no mundo", declarou.

"Precisamos avançar em acordos para enfrentar as mudanças climáticas, e a Argentina está comprometida nisso", afirmou por sua vez Fernández."Muitos pensam que Argentina não quer avançar em um acordo, mas também há problemas na Europa", indicou, destacando especialmente a questão climática.

Outro tema abordado foi a vacinação. O espanhol destacou que o país doará de mais de 20 milhões de vacinas em 2021, "especialmente para a América Latina, que necessita de solidariedade por estar sendo mais golpeada". Os líderes reforçaram que os imunizantes devem ser um "bem público global", e que é necessário aumentar sua distribuição. 

 

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