Brasileiros voltam de NY e descrevem tumulto em aeroporto

Aliviados com a volta para casa, brasileiros que chegaram hoje ao Rio, vindos no primeiro vôo saído de Nova York desde os atentados de terça-feira, contaram que dezenas de passageiros aguardam com nervosismo e ansiedade a oportunidade de embarcar para o Brasil, no aeroporto John Fitzgerald Kennedy. "As pessoas estão desconsoladas e agressivas tentando encontrar lugar nos aviões", contou a modelo Luiza Brunet, que desembarcou com a filha Yasmin, de 13 anos.No tumulto do aeroporto novaiorquino, muitos brasileiros que não conseguiram lugar reclamaram de supostos privilégios para passageiros ilustres. "Não houve privilégio algum, minha passagem já estava marcada para ontem", defendeu-se Luiza Brunet, que chorou ao comentar o drama dos americanos. "É um momento de muita tristeza, mas também de solidariedade."Outra modelo, Luma de Oliveira, que tinha passagem marcada somente para hoje, conseguiu um lugar na classe executiva para a noite de sexta-freira e embarcou no mesmo avião de Luiza Brunet. Também o deputado federal Severino Cavalcante (PPB/PE), que ficou incomunicável no dia da tragédia, desembarcou na manhã de ontem no Aeroporto Internacional Tom Jobim. O avião, que tinha chegada prevista para 7h40, pousou às 8h26 no aerporto do Rio, depois de uma escala em São Paulo. Trazia passageiros dos vôos 8865 da Varig e 4151 United Airlines.Recebidos por parentes que os esperavam impacientes no saguão do Terminal 2, os passageiros contavam, entre lágrimas e muitos abraços, os momentos de tensão vividos em Nova York. Um grupo de adolescentes contou que, tão logo o avião decolou, houve grande comemoração, com aplausos, gritos e assovios na classe econômica.Depois de abraçar os filhos Thor, de 10 anos, e Olin, de 5, e o marido, o empresário Eike Batista, Luma de Oliveira contou que assistiu, de seu apartamento em Manhattan, no 42º andar, à queda das torres do World Trade Center. "Estavam ali, na minha reta, e dá uma enorme sensação de impotência. Sou sempre corajosa, mas nunca tive tanto medo", disse a modelo. Luma disse que havia um clima de insegurança mesmo dentro do avião de volta ao Rio. "Quando a gente sai do espaço americano, está entregue a Deus. Eu nunca quis tanto chegar em casa."A comissária Ana Soltelo emocionou-se ao encontrar a família aguardando no aeroporto, fato que só acontece em ocasiões especiais. "Houve procedimentos de segurança que a gente nunca viu na vida", contou Ana. Todos os funcionários das companhias aéreas tiveram crachás cuidadosamente conferidos, as bagagens de mão foram revistadas e os talheres de aço foram trocados por outros de plástico. A comissária Mônica Schimidt foi recebida com uma dúzia de rosas pelo marido Roberto, também comissário da Varig, e pela filha Úrsula, de 11 anos.Mônica deveria ter embarcado de volta ao Rio na terça-feira, dia das explosões.Retida em Nova York desde terça-feira, Ruth Ellen Simony conseguiu trocar sua passagem da American Airlines para a Varig e também pegou o vôo que chegou ontem no Aeroporto Tom Jobim. Sem conseguir esticar a reserva no hotel onde estava hospedada, passou os últimos dias na casa de uma tia, que está doente e tinha acabado de deixar o hospital. Ruth Ellen também não resistiu à emoção ao ser recebida pela filha, a nora e a netinha Gabriela, de apenas um ano, que, alheia à confusão, sorria e batia palmas para a avó.

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