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Brasília apoia veto a intervenção, diz russo

Embaixador da Rússia no Brasil afirma que o País tem a mesma posição que Moscou; Itamaraty, porém, faz ressalvas

LOURIVAL SANTANNA, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2013 | 02h03

Dois anos e 80 mil mortos depois, a Rússia continua na mesma posição: vetará qualquer resolução no Conselho de Segurança da ONU autorizando uma intervenção na Síria. Além disso, tem fornecido armas a Damasco. Para o embaixador russo em Brasília, Sergei Akopov, a posição do Brasil é idêntica à da Rússia. O Itamaraty garante que não é bem assim.

"As posições da Rússia e do Brasil são absolutamente coincidentes em relação à Síria", disse o embaixador, durante debate, na segunda-feira, na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Akopov ressaltou que "esse tema foi amplamente discutido" nas reuniões da presidente Dilma Rousseff com seu colega russo, Vladimir Putin, em dezembro, em Moscou, e com o primeiro-ministro Dimitri Medvedev em fevereiro, em Brasília. "São os sírios que têm de resolver o problema na mesa de negociações, com ou sem Assad", postulou o embaixador.

"A Rússia aceitou o acordado em Genebra e isso é um ponto que nos aproxima", reconheceu ontem ao Estado o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Tovar da Silva Nunes, referindo-se ao acordo firmado em junho pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, mais a Liga Árabe e a Turquia, que previa o fim imediato das hostilidades de ambos os lados e o estabelecimento de um governo de transição, com a participação do regime e da oposição. Os dois países partilham a visão de que "não há solução militar para esse conflito" e a solução deve ser encontrada pelos sírios, sem intervenção externa, continuou o porta-voz.

"No momento, colocar armas à disposição do governo e dos insurgentes causa uma situação insustentável, como a que vimos na Líbia", ressalvou Tovar, em resposta à pergunta sobre a posição do Brasil em relação à venda de armas russas para a Síria.

A Rússia é o principal fornecedor de armas para o regime de Bashar Assad. Mesmo durante o conflito, os russos despacharam mísseis terra-ar e radares para os sírios. A última base naval russa no Oriente Médio, que garante a autonomia de sua Marinha no patrulhamento da região, está no porto sírio de Tartus.

Tovar lembrou ainda que o Brasil votou a favor de uma resolução no Comitê de Direitos Humanos da ONU, em 2011, e duas na Assembleia-Geral, em novembro de 2011 e fevereiro de 2012, condenando a violência do regime (e dos insurgentes) contra civis. A Rússia votou contra as três. O Brasil absteve-se na votação da resolução do Conselho de Segurança - vetada por Rússia e China - que condenava o regime sírio, em outubro de 2011. "Foi um erro não ter vetado a intervenção na Líbia e não vamos cometê-lo de novo", assegura Akopov.

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