FOTO Carlos Antônio de Souza Vieira/SECOMRR
FOTO Carlos Antônio de Souza Vieira/SECOMRR

Brasília envia equipe à fronteira para criar centro de acolhida a venezuelanos

Dentro do governo brasileiro, há quem defenda ir além e levar à ONU a proposta de estabelecer um campo derefugiados para lidar com fluxo de imigrantes que fogem da crise no país vizinho

Lu Aiko Otta, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2017 | 05h00

O governo brasileiro pretende instalar um centro de acolhimento provisório para venezuelanos em Pacaraima (RR). O município fica na fronteira entre o Brasil e a Venezuela e é um dos principais pontos de entrada dos imigrantes. Uma equipe de técnicos dos ministérios das Relações Exteriores, Justiça, Saúde, Desenvolvimento Social e da Funai seguiu na noite desta segunda-feira para Roraima para mapear as demandas no local. 

Há, dentro do governo, quem defenda um passo ainda maior: levar ao Alto-Comissariado da ONU a proposta de criação de um campo de refugiados, conforme informou a Coluna do Estadão no domingo. “Há risco de dezenas e até centenas de milhares de venezuelanos atravessarem a fronteira em busca de simples sobrevivência”, disse ao Estado o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra. “O município não suportará a demanda crescente sem isso”, afirmou, referindo-se ao campo.

A pasta já enviou para Roraima R$ 400 mil reais para ações de atendimento social. “O aumento diário da demanda exige planejamento maior”, afirmou. 

A proposta foi discutida nesta segunda-feira numa reunião na Casa Civil, mas o governo optou pelo centro de acolhimento, que é uma estrutura menor e menos permanente que o campo. Segundo a avaliação dos técnicos, é a solução mais apropriada para o atual cenário na fronteira.

A missão que seguiu nesta segunda-feira tem o objetivo de determinar quantos venezuelanos estão lá, e que tipo de ajuda poderá ser prestada. No caso da Saúde, por exemplo, duas técnicas visitarão as unidades da região para verificar sua capacidade de atendimento frente à necessidade.

A ideia é utilizar algum imóvel já existente na cidade para oferecer abrigo e alimentação, pois há imigrantes dormindo nas ruas. Em Boa Vista, outro local onde há elevado número de imigrantes venezuelanos, já foram instaladas 75 barracas, onde estão acolhidas cerca de 200 pessoas. 

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, participará, nesta quarta-feira, de uma reunião de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA) que discutirá alternativas para restabelecer o diálogo entre governo e oposição na Venezuela. Uma das propostas, segundo informou, é a criação de um grupo de países amigos, a exemplo do que foi feito em 2003. 

Segundo informou o Itamaraty em nota, essa reunião é uma das principais instâncias da organização, convocada quando é preciso deliberar sobre problemas urgentes e de interesse comum dos membros. 

Em nota, o Itamaraty afirmou que, no dia seguinte, Aloysio terá reunião com o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, para “avaliar os resultados e o seguimento” da reunião. Os dois também falarão sobre outros temas, como a assembleia-geral da organização, que será realizada entre os dias 19 e 21, no México. 

Pedidos de refúgio. Segundo o Comitê Nacional para Refugiados (Conare), vinculado ao Ministério da Justiça, até novembro estão agendadas pouco mais de 7 mil entrevistas de pedidos de refúgios por venezuelanos. De janeiro a março, mais de mil venezuelanos pediram abrigo em Roraima. Segundo a Superintendência da Polícia Federal em Roraima, de janeiro a março 1.614 venezuelanos pediram refúgio. O refúgio é uma proteção legal para estrangeiros que sofram perseguição em seu país por motivos de raça, religião, grupo social ou opiniões políticas, ou estejam sujeitos à violação de direitos humanos. / CYNEIDA CORREIA, ESPECIAL PARA O ESTADO

 

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