Brasília se oporá a punição que prejudique economia paraguaia

Segundo ministro, País não seguirá exemplo de governo venezuelano, que suspendeu venda de petróleo a Assunção

MENDOZA, ARGENTINA, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h04

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse ontem ao Estado que o Brasil não vai aplicar sanção econômica ao Paraguai. "A nossa orientação é que não haja embargo econômico ao Paraguai", afirmou, sem querer comentar medidas adotadas por outros países, como a Venezuela, que impôs a suspensão de venda de petróleo a Assunção. O Brasil é responsável por 50% da gasolina consumida no Paraguai, enquanto a Venezuela supre 20% do mercado.

A posição que o governo brasileiro tem defendido é a de não adotar medidas que possam prejudicar "o povo irmão paraguaio". Além de vender gasolina, o Brasil tem muitos negócios com o Paraguai e o principal deles é a Usina Hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu, que segue funcionando normalmente, fornecendo energia aos dois países.

Fórum Social. Carvalho participou ontem em Mendoza da cerimônia de abertura do Fórum Social do Mercosul, evento paralelo à cúpula dos presidentes do bloco, a ser inaugurada hoje.

O Fórum Social, que reúne cerca de 800 participantes, deu o tom de repúdio à deposição do presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Carvalho, falando a militância inflamada, afirmou que "não se pode vilipendiar um processo eleitoral legítimo que elegeu um representante popular como é Lugo". Para ele, o impeachment foi "uma reação dos que têm medo da democracia popular" e, por isso, "não podemos aceitar o que houve no Paraguai, pois vai na contra mão de tudo que temos construído". Ele declarou ainda que todos esperam que "a cúpula do Mercosul faça uma manifestação forte contra o que aconteceu com Lugo". / T.M. e A.P.

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