Brasília vê manobra para unir venezuelanos

Com ataques à Colômbia, Chávez cria inimigo da nação bolivariana e agrega votos à reforma

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2007 | 00h00

Os ataques à Colômbia feitos pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez - que culminaram ontem com a decisão de Caracas romper as relações diplomáticas com Bogotá -, têm, entre outras razões, um forte fator doméstico: o risco de o líder venezuelano ver sua reforma constitucional naufragar no referendo popular de domingo. Fontes do governo brasileiro avaliam que os protestos contra a reforma constitucional, a dispersão de setores antes alinhados a Chávez e a reorganização da oposição tornaram o referendo um problema real para o projeto do presidente venezuelano de consolidar uma ditadura constitucional no país.Na avaliação de setores diplomáticos brasileiros, sem o apoio de parte de seus eleitores cativos, Chávez recorreu ao clássico método de criar e alimentar um inimigo externo da nação bolivariana para agregar votos favoráveis - patrióticos e com claros sinais chauvinistas - a seu projeto maior. A Colômbia é um país fronteiriço cujo governo está claramente no espectro ideológico oposto ao do bolivarianismo de Chávez.A tática de usar os problemas externos para mobilizar e unir internamente os aliados também fica patente na forma agressiva como o governo Chávez trata problemas territoriais com a Guiana e própria Colômbia que, antes, tinham dimensão apenas diplomática.O Ministério de Relações Exteriores brasileiro, por enquanto, não quer ver o Brasil no meio dessa confusão política sustentada por Chávez. Primeiro, porque espera o abrandamento dos ataques de Chávez à Colômbia depois do referendo de domingo. Segundo, porque ainda mantém a oferta feita a Bogotá de ceder um território para as negociações de um acordo humanitário entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Se o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, quiser, o Brasil estará pronto para substituir a fracassada idéia de ter a Venezuela de Chávez como mediadora desse acordo para a troca de 45 reféns das Farc por 500 guerrilheiros presos. Entre os reféns que seriam trocados está a ex-senadora e ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt.

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