Romário Cunha/VPR
Romário Cunha/VPR

Brasil tem como dar ajuda humanitária para Venezuela, diz Mourão

De acordo com ele, o governo tem condições de enviar medicamentos e comida para o país vizinho, até mesmo por meio de doações de brasileiros

Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2019 | 13h03
Atualizado 31 de janeiro de 2019 | 11h09

BRASÍLIA  -  O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta quarta-feira, 30,  que o Brasil pode avaliar a possibilidade de prestar ajuda humanitária à Venezuela. De acordo com ele, o governo tem condições de enviar medicamentos e comida para o país vizinho, até mesmo por meio de doações de brasileiros, mas que a decisão final será tomada pelo presidente Jair Bolsonaro.

"Por enquanto estou aguardando a definição do que está sendo pedido. Vamos aguardar e isso será uma decisão do presidente depois. [...] Na região de Brumadinho, por exemplo, já pediram para suspender a quantidade de donativos que tem chegado por causa da generosidade do nosso povo", disse.

Nesta quarta, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, que se declarou presidente interino, em desafio ao governo de presidente Nicolás Maduro, afirmou que espera apoio do presidente Jair Bolsonaro para a entrada de ajuda humanitária em seu País, de acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo.

Ao convocar as manifestações de hoje, Guaidó pediu aos militares que “se colocassem ao lado dos cidadãos e permitissem a entrada da ajuda humanitária”. A abertura de um corredor humanitário na fronteira – uma área desmilitarizada destinada a permitir a entrada segura de ajuda – é uma forma de mobilizar militares que apoiam o chavismo. Segundo opositores, a medida pode fazer as Forças Armadas mudarem de lado. O pedido não foi feito diretamente ao Brasil, mas Mourão disse que a proposta deveria ser analisada. 

Ao deixar a vice-presidência para almoçar, Mourão afirmou que a prisão de dois jornalistas chilenos da emissora TVN, ocorrida na noite de ontem nas proximidades do Palácio de Miraflores em Caracas, tem preocupado o governo brasileiro. "Vamos confirmar [dados sobre jornalistas]. Está difícil obter alguma coisa de lá", disse.

Mais cedo, Mourão se reuniu com o embaixador do Chile no Brasil, Fernando Schmidt, e com o ministro-conselheiro da embaixada, Rafael Puelma. Segundo o vice-presidente, a questão da prisão dos jornalistas não foi tratada durante a reunião. "O embaixador do Chile trouxe tópicos que a gente está pretendendo conversar e brifar com o presidente para a visita que ele fará ao final de março ao Chile", disse.

Os jornalistas chilenos Rodrigo Pérez e Gonzalo Barahona foram detidos junto a seus colegas venezuelanos Maiker Yriarte e Ana Rodríguez, do canal online VPI. Eles cobriam a vigília em defesa de Maduro, convocada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), na semana passada, que não teve a adesão esperada. O governo chavista não deu detalhes sobre as razões da prisão. 

Os venezuelanos Yriarte e Rodríguez foram liberados ontem, após passarem dez horas detidos na sede da presidência, de acordo com informações do secretário-geral do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP), Marco Ruiz. Os chilenos continuam presos no palácio.

Os dois jornalistas venezuelanos contaram que sofreram agressões verbais e foram obrigados a assinar um documento elogiando o tratamento dado a eles e garantindo que tiveram seus direitos fundamentais preservados.

Hoje, o presidente do Chile, Sebastian Piñera, pediu “a imediata libertação dos jornalistas” e criticou a falta de liberdade de imprensa na Venezuela. “Exigimos a imediata libertação dos jornalistas da TVN detidos na Venezuela. Nossa chancelaria está tomando todas as medidas necessárias. A liberdade de imprensa é outra das vítimas na Venezuela”, escreveu no Twitter.

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