Heiko Junge/Reuters
Heiko Junge/Reuters

Breivik admite autoria de atentados na Noruega, mas se declara inocente

Extremista de ultradireita disse, no primeiro dia do julgamento, que atuou 'em defesa própria'; 77 morreram em ataques

Efe,

16 de abril de 2012 | 07h55

OSLO - No primeiro dia do seu julgamento, o ultradireitista Anders Behring Breivik admitiu nesta segunda-feira, 16, a autoria dos atentados de julho na Noruega, nos quais morreram 77 pessoas, embora tenha se declarado inocente. "Reconheço os fatos, mas não a culpa. Atuei em defesa própria", disse Breivik à pergunta da juíza, depois de a promotora Inga Bejer Engh ler a acusação contra ele, que já foi divulgada previamente há um mês.

 

Durante uma hora, Engh repassou os 77 "homicídios premeditados", além de um delito de terrorismo, dos quais Breivik é acusado. A promotora fez uma descrição breve sobre cada vítima e ferido no duplo atentado: primeiro com um carro-bomba no complexo governamental de Oslo e depois na ilha de Utoya, ao oeste da capital, onde Breivik assassinou 69 pessoas que participavam do acampamento das Juventudes Trabalhistas.

 

Engh disse que os crimes têm uma dimensão "nunca antes vista em nossa história moderna", e nomeou cada vítima, disse onde estava e como morreu ou ficou ferida. Breivik permaneceu impassível, com a cabeça abaixada, enquanto na sala em silêncio alguns dos familiares das vítimas choravam ou fechavam os olhos, embora nenhum tenha abandonado o recinto.

 

Estudo mental

 

Engh lembrou que a Promotoria pede, de acordo com o primeiro relatório mental realizado em Breivik - que o considera um doente mental -, que ele seja transferido a um centro psiquiátrico, já que uma pessoa não pode ser condenada à prisão se não for penalmente responsável por seus atos. Mas a Promotoria mantém uma reserva relacionada com o resultado do segundo estudo mental, que concluiu que Breivik não estava em estado psicótico quando cometeu os atentados, e portanto é penalmente responsável.

 

A declaração de Breivik, que começará na terça-feira, e o depoimento das testemunhas, além das observações realizadas durante o processo pelas duas equipes de psiquiatras que o examinaram, serão fundamentais para determinar seu estado mental. Até o final do julgamento, que durará dez semanas, a Promotoria não decidirá qual será a pena solicitada: ingresso em centro psiquiátrico ou 21 anos de prisão mais custódia, o que pode equivaler à cadeia perpétua. Se ele continuar sendo um perigo social, pode ficar preso de forma indefinida.

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