Heiko Junge/Efe
Heiko Junge/Efe

Breivik operou nariz para ter aparência 'mais ariana', diz amigo

Testemunha assinalou que amigos tachavam ultradireitista de vaidoso e que ele encarava isso com ironia

29 Maio 2012 | 12h27

COPENHAGUE - Anders Behring Breivik, autor confesso dos atentados de julho de 2011 na Noruega, usava maquiagem e operou o nariz para ter um aspecto "mais ariano", segundo testemunhou nesta terça-feira, 29, um amigo seu de infância no julgamento contra ele realizado em Oslo.

Veja também:

linkBreivik não apelará se for condenado e considerado são

linkNorueguês põe fogo no corpo diante de tribunal de Breivik

"Acho que disse que queria ter um nariz mais ariano", relatou segundo o site do jornal "VG" este amigo que, da mesma forma que os outros três que depuseram hoje, pediu que sua identidade permanecesse sob anonimato e quis falar sem que Breivik estivesse presente na sala.

A testemunha, que definiu o acusado ultradireitista como alguém muito preocupado com sua aparência, assinalou que seus amigos o tachavam de vaidoso e que ele encarava isso com ironia.

Nem este nem outro amigo do acusado que testemunhou em seguida lembravam que Breivik tivesse que operar o nariz após sofrer uma suposta agressão de um imigrante, nem que fosse vítima de outros ataques por parte de residentes estrangeiros na Noruega, segundo alega o ultradireitista.

A segunda testemunha, que o conheceu no colégio e depois trabalhou e viveu com ele entre 2001 e 2003, apelou também para razões de "vaidade" para explicar a operação.

Esse amigo definiu Breivik como "empreendedor, meticuloso, centrado e um pouco egocêntrico".

Na época em que dividiram apartamento, Breivik começou a dedicar muitas horas a jogar pela internet, disse essa testemunha, que indicou que ele não se mostrou "obsessivo" com a questão dos imigrantes até 2006, quando lhes informou que estava escrevendo um manifesto.

Lembrou também como, entre 2008 e 2010, o ultradireitista se isolou de seus amigos e perdeu o contato com eles; inclusive quando foram a buscá-lo na casa de sua mãe, onde vivia então, no dia em que completou 30 anos.

"Achava que Anders tinha entrado em depressão profunda (...) ou que era homossexual e não queria mostrar-se", declarou esta segunda testemunha.

Apenas em 2010 Breivik voltou a retomar o contato com seus amigos e começou a ser "sociável" de novo, embora tenha reduzido os contatos.

 
Mais conteúdo sobre:
Breivik norueguês atentado julgamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.