Brejnev, o maior líder do século 20

Segundo pesquisa, o pior foi Gorbachev

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2013 | 02h04

Os russos preferem Leonid Brejnev. De acordo com pesquisa divulgada ontem pelo instituto Levada Center, de Moscou, o ex-secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética foi o melhor líder que o país teve no século 20.

Alvo constante de piadas, especialmente em razão da senilidade nos últimos anos de sua vida, Brejnev, que governou de 1964 a 1982, ainda é respeitado por grande parte da população por ter mantido a estabilidade e o alto padrão de vida do cidadão soviético comum. "A razão é simples", disse o analista político Sergei Mikheyev ao jornal Pravda. "Durante o período Brejnev, a vida era calma e tranquila. As pessoas sentem falta de segurança e previsibilidade."

Segundo a pesquisa - feita entre os dias 19 e 22 de abril com 1,6 mil pessoas -, Brejnev teve avaliação positiva de 56% dos entrevistados. Logo atrás, com aprovação de 55% da população, aparece o líder bolchevique Vladimir Ilyich Lenin, no poder de 1917 a 1924. Seu sucessor, Josef Stalin, que ocupou o Kremlin de 1924 a 1953, também continua popular e surge em terceiro, com 50% de avaliação positiva.

O pior líder do país, segundo a pesquisa, foi Mikhail Gorbachev, último secretário-geral do PC e responsável pela dissolução da União Soviética. O criador da perestroika e da glasnost foi avaliado positivamente por apenas 21% dos entrevistados. "O fim da URSS ainda é considerado pela maioria dos russos como a maior catástrofe do século 20", afirmou Aleksey Grazhdankin, diretor do Levada Center.

Outro personagem impopular é Boris Yeltsin, que comandou a conturbada transição para o capitalismo. Yeltsin, conhecido por sua paixão pela vodca, que embalou bebedeiras que divertiam o então presidente americano, Bill Clinton, é bem visto por 22% dos russos.

A surpresa é o bom desempenho do czar Nicolau II, deposto pela revolução bolchevique. O monarca é visto positivamente por 48% da população. Nikita Kruchev, sucessor de Stalin que quase levou o mundo a uma guerra nuclear com os EUA durante a Crise dos Mísseis em Cuba, tem 45% de aprovação popular. / REUTERS e AP

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