AFP PHOTO / OLI SCARFF
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Favoritos ao cargo de premiê britânico defendem corte de impostos para ricos

Mais cotado para assumir posto de May é o ex-prefeito de Londres e chanceler Boris Johnson, símbolo da campanha pelo Brexit e defensor de uma ruptura sem indenização à Europa

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2019 | 14h06
Atualizado 11 de junho de 2019 | 15h23

O Partido Conservador terá dez candidatos candidatos na disputa pela vaga de líder da legenda e primeiro-ministro do Reino Unido. Até agora, o grande favorito é o ex-prefeito de Londres e ex-chanceler Boris Johnson, símbolo da campanha pró-Brexit. Ele e seu principal rival divergem sobre a forma de negociar com a União Europeia, mas estão de acordo em um corte de impostos para a população mais rica.

Os dez pré-candidatos formalizaram sua entrada na corrida eleitoral nesta segunda-feira, 10. Depois de entregues as candidaturas, estão previstas várias rodadas de votações eliminatórias, que vão do dia 13 até o dia 20. 

Para sobreviverem à primeira rodada, prevista para quinta-feira, os candidatos necessitam de um mínimo de 5% dos votos, equivalentes a 17 deputados. A partir da última votação, no dia 20, os dois remanescentes vão se submeter a uma eleição final, em nível nacional, na qual podem votar os cerca de 120 mil militantes do Partido Conservador. O vencedor será o próximo primeiro-ministro do Reino Unido e líder do governo.

Segundo estimativas da revista britânica The Economist, Johnson tem 71,3% de chances de conquistar a vaga. Ele é seguido por Jeremy Hunt, ministro dos Negócios Estrangeiros, com 14,3%, e Andrea Leadsom, com 8,6%, ex-líder da Câmara dos Comuns. 

Todos os candidatos dizem estar determinados a tirar o Reino Unido da União Europeia, se possível antes de 31 de outubro, prazo final para uma saída negociada do país. Johnson afirmou que, se eleito, a saída do Reino Unido da UE na data definida é uma certeza: com ou sem acordo. 

“Enfrentamos uma crise existencial e não seremos perdoados se não cumprirmos o ‘Brexit’ no dia 31 de outubro. Será uma verdadeira escolha entre resolver o ‘Brexit’ e a potencial extinção deste grande partido”, alertou. Johnson até mesmo ameaçou não pagar uma espécie de indenização do Reino Unido para a UE, no valor de € 50 milhões, para tentar forçar os europeus a negociar.

Em um artigo no jornal The Telegraph, Johnson defendeu um corte de impostos para os mais ricos. Ele defendeu que a alíquota de 40% passe a valer para quem ganha mais de 80 mil libras (hoje ela é aplicada sobre quem ganha mais de 50 mil libras). A proposta foi criticada pela oposição. Ao menos 6 dos 10 candidatos conservadores também têm propostas de cortes de impostos para os ricos. 

Johnson permaneceu em silêncio ontem, sem as costumeiras declarações bombásticas. Segundo o jornalista de política da BBC Ross Hawkins, o maior medo dos apoiadores de Johnson “não é qualquer outro candidato, mas sim que ele diga ou faça qualquer coisa estúpida”. Johnson estaria fazendo campanha e alianças entre os deputados conservadores, segundo a BBC.

Rival

Segundo a imprensa britânica, o principal rival de Johnson é Hunt, atual ministro dos Negócios Estrangeiros, tido como candidato mais moderado. Apesar de sua ligação com a premiê demissionária, Theresa May, ele encarnaria a ala do Partido Conservador que defende “qualquer pessoa menos Boris”. A desistência das ministras Amber Rudd (Trabalho) e Penny Mordaunt (Defesa) seria um sinal de apoio a Hunt, que elogiou os cortes de impostos para as maiores rendas feito por Donald Trump e indicou que faria algo semelhante.

Questionado sobre a hipótese de uma saída sem acordo, Hunt diz que a exclui. Mas a alternativa que apresentou foi renegociar com a UE: “Se formos a Bruxelas e começarmos a ameaçá-los com uma opção que sabemos que o Parlamento não aceita, isso não vai funcionar”.

“O próximo líder conservador tem de dominar a arte da negociação, não a arte da retórica vazia”, afirmou Hunt, em evidente referência às ameaças de Johnson de uma saída sem acordo da UE. “Estou certo de que, se adotarmos uma boa estratégia, podemos negociar com Bruxelas.”

Michael Gove, considerado o melhor na oratória e um dos mais experientes politicamente, sofre os efeitos de ter sido obrigado a admitir que usou cocaína há mais de 20 anos, após uma reportagem publicada há duas semanas. 

Além disso, segundo a BBC, Gove alimentaria uma “dinâmica tóxica” dentro do Partido Conservador. “Conservadores mais experientes tendem a não apoiar nem Johnson nem Gove por causa do azedume entre os dois: se um deles vence, o outro pode, em virtude dessa animosidade, tentar destruir o próximo governo”, escreveu a editora de política da BBC, Vicky Hunt. / AFP, REUTERS e NYT

 

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