Brexit muda rotina de brasileiros com dupla cidadania

Brexit muda rotina de brasileiros com dupla cidadania

Saída do Reino Unido obriga quem tem passaporte de países da UE a realizar gincana burocrática para permanecer em território britânico

Thaís Ferraz, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2020 | 06h00

Após mais de três anos de discussões e negociações, os britânicos finalmente saíram da União Europeia na última sexta-feira, 31. Curiosamente, o Brexit significa poucas mudanças para brasileiros que vivem no Reino Unido, e preocupa mais quem tem passaporte europeu.

O Brexit afeta as relações entre Reino Unido e UE. Por isso, as mudanças também mexem com a vida dos cidadãos que tinham direito de morar no país graças à cidadania de algum país-membro do bloco europeu. É o caso de muitos brasileiros. 

Entre 2002 e 2017, ao menos 170 mil ganharam cidadania de países europeus e o direito à livre circulação no bloco, incluindo o Reino Unido. Agora, na condição de europeus, esses brasileiros ganharam de presente uma gincana burocrática: precisam fazer uma solicitação para permanecer no país durante o período de transição, que termina em 31 de dezembro. 

Mesmo assim, após o dia 1.º de janeiro de 2021, as regras podem mudar. Até lá, algumas proteções estão em vigor. O programa chamado EU Settlement Scheme, fruto de um acordo entre o Reino Unido e a UE – que também incluiu Noruega, Islândia, Liechtenstein e Suíça –, pretende proteger os direitos dos cidadãos europeus e parentes que vivem no Reino Unido. 

O consultor de imigração da Associação Brasileira no Reino Unido (Abras), Ricardo Zagotto, disse que, por enquanto, “o único efeito prático (da saída) é que os céticos tomaram consciência de que o Brexit é uma realidade e eles devem tomar providências”.

Na Inglaterra há quase cinco anos, Sandra Santos e a família se mudaram em busca de melhores condições de vida, principalmente de segurança e de educação. Com cidadania portuguesa, acompanharam todo o processo do Brexit, da votação do referendo à aprovação final. 

“Foi uma novela, mas agora todo mundo está bem tranquilo. Ninguém está com medo.” A família já se cadastrou no sistema do EU Settlement Scheme. “É um procedimento simples, você faz tudo por celular”, conta Sandra. “A única coisa que precisa é o passaporte europeu.” 

De acordo com dados da Embaixada Britânica em Brasília, até o final de dezembro, mais de 2,7 milhões de pessoas requisitaram acesso ao programa – dessas, 2,4 milhões concluíram o processo com sucesso. A maioria recebeu status que permite a permanência no Reino Unido.

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