REUTERS/Andrew Kelly
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Brexit aumenta procura por passaporte irlandês, diz ministro

Em palestra na Fundação FHC, John Halligan, titular da pasta Treinamento, Habilidades e Inovação afirmou que 'já houve um aumento dramático na quantidade de norte-irlandeses que querem ter passaporte irlandês' e continuar com os benefícios de serem cidadãos europeus

Murillo Ferrari, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2017 | 18h30

As incertezas relacionadas às negociações sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) e suas possíveis consequências, antes mesmo de o processo ser formalmente iniciado, fizeram com que a procura por documentação irlandesa e o fluxo migratório entre a Irlanda do Norte e a Irlanda - que continuará no bloco europeu - aumentassem substancialmente nos últimos meses, afirmou nesta sexta-feira, 17, John Halligan, ministro do Treinamento, Habilidades e Inovação de Dublin.

Em palestra na Fundação Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo, Halligan alertou que todos os cidadãos norte-irlandeses serão afetados de alguma forma pelo resultado das negociações do Brexit, incluindo “a maioria dessas pessoas que votaram para continuar na UE” - na Irlanda do Norte, 55,8% dos eleitores preferiram continuar no bloco econômico.

“Já houve um aumento dramático na quantidade de norte-irlandeses que querem ter passaporte irlandês”, disse Halligan, explicando que o acordo de paz assinado entre os dois países em 1998, o Acordo de Belfast, reconhece o direito de todas os cidadãos da Irlanda do Norte de se identificarem e serem aceitos como irlandeses, britânicos ou ambos, “com todos os direitos e obrigações que isso implica”.

O político afirmou ainda que o restabelecimento do controles fronteiriços entre os dois países seria um retrocesso “contrário aos interesses do processo de paz”, algo que o primeiro-ministro do país, Enda Kenny, já teria exposto para a premiê britânica, Theresa May, em várias ocasiões.

“Cerca de 30 mil pessoas cruzam a fronteira entre Irlanda do Norte e Irlanda todos os dias, seja para estudar, trabalhar ou socializar. Posso garantir que a manutenção das fronteiras abertas é um dos benefícios do processo de paz que eu e meus colegas estamos determinados a manter dentro das negociações entre Reino Unido e UE.”

Do ponto de vista econômico, Halligan afirmou que mesmo após a efetivação do Brexit não haverá qualquer mudança no posicionamento do seu governo em relação ao seus parceiros europeus e britânico, “ainda que não saibamos quais serão todas as consequências do Brexit”. “Economicamente, estamos muito bem e parece haver um bom nível de confiança na Irlanda por muitas empresas, que devem manter os investimentos e criar novos empregos no país”, afirmou.

Reunificação. Questionado sobre a possibilidade de um novo movimento de reunificação dos dois países surgir em razão do Brexit, o ministro afirmou que não acredita nesta possibilidade e descartou que seu governo tome qualquer iniciativa neste sentido.

“Por mais que possa haver uma quantidade de pessoas que defendam este tema, não é sequer possível mensurar quão forte este movimento seria”, disse Halligan. “Além disso, e faço questão de enfatizar, para nós a situação atual (entre os dos países) está boa, então não há qualquer plano e sequer faz parte da nossa agenda política discutir esta questão.”

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