Frank Augstein/AP Photo
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Brexit: cronologia do referendo ao voto de desconfiança a May

A decisão de sair da União Europeia deixou os britânicos, em especial a primeira-ministra Theresa May, com a tarefa de conduzir o processo sem fazer um rompimento brusco

O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2018 | 10h33

LONDRES - Desde a aprovação do plano de saída do Reino Unido da União Europeia, processo conhecido como Brexit, os britânicos enfrentam dois anos de indecisões sobre o futuro do país a partir de 2019.

Voto a favor do Brexit

Em 23 de junho de 2016, em um referendo que terminou com 52% dos votos a favor e 48% contra, os britânicos decidiram encerrar 43 anos de integração à União Europeia.m Esse resultado levou à renúncia do então primeiro-ministro conservador David Cameron, que havia convocado a consulta e encabeçou a campanha para permanecer na UE.

Na busca para substituí-lo, Boris Johnson, a favor do Brexit, se retirou em último momento e Theresa May, ministra do Interior do governo de Cameron durante seis anos, foi escolhida a primeira-ministra em 11 de julho.

Saída

Com uma carta ao presidente do Conselho Europeu, Donald Dusk, em que anunciava formalmente a intenção de saie do bloco em 29 de março de 2017, o governo britânico pôs em funcionamento o Artigo 50 do Tratado europeu de Lisboa que rege o mecanismo de retirada voluntária de um país-membro. Assim começou o prazo de dois anos que deve desembocar na saída britânica em 29 de março de 2019.

May perde a maioria

Tentando se aproveitar da aparente debilidade do opositor Partido Trabalhista e fortalecer a sua posição nas negociações, May adiantou as eleições para 8 de junho e fracassou: perdeu a maioria absoluta e teve que negociar o apoio dos dez deputados do partido unionista norte-irlandês para poder governar.

A UE e Dublin exigem que a fronteira entre a província britânica da Irlanda do Norte e da República da Irlanda sigam sendo de livre trânsito, mas isso faria com que os norte-irlandeses tivessem um tratamento diferente do resto dos britânicos.

Acordo em pontos-chave

Em 8 de dezembro de 2017, depois de longas negociações, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e May anunciaram em Bruxelas haver chegado a um acordo sobre alguns pontos-chave da separação. Entre as decisões, está a fatura que o Reino Unido deverá pagar à UE, respeitando os compromissos previamente feitos com o bloco: 39 bilhões de libras.

Dois ministros se demitem

Em 6 de julho de 2018, May obteve o acordo do governo para negociar a manutenção das relações comerciais com a UE após o Brexit. Nos três dias seguintes, foram demitidos o ministro do Brexit, David Davis, contra a permanência do Reino Unido na UE que disse que May estava “cedendo muito e muito rapidamente”, e o ministro de Relações Exteriores, Boris Johnson, que se transformou no principal detrator dos planos de May por meio da sua coluna semanal no jornal Daily Telegraph.

Acordo com os 27

Em 13 de novembro de 2018, o governo britânico anunciou que os negociadores do Reino Unido e da UE alcançaram um “projeto de Acordo de Retirada”, que no dia seguinte recebeu a luz verde do governo.

Dois dias depois, no entanto, quatro membros se demitiram afirmando estar em desacordo com o texto, apesar de May seguir adiante com o plano. Após superar uma ameaça de veto, feita pela Espanha devido às relações dos países com Gibraltar, o Reino Unido definiu a saída.

Votação parlamentar adiada

A Câmara dos Comuns deveria ratificar ou rechaçar o texto em uma história votação em 11 de dezembro. No entanto, depois de três dias de debates com parlamentares em que ficou claro que o acordo seria derrubado no Parlamento, May anunciou no dia 10 que adiaria a votação e voltaria a conversar com líderes europeus em busca de “garantias” para tranquilizar os legisladores.

Voto de desconfiança

Cerca de cinquenta dos 315 deputados do Partido Conservador lançaram uma moção de não confiança, que será votada nesta quarta-feira, 12, para tirar o poder de Theresa May. Para seguir em frente, eles precisam do apoio de ao menos metade mais um, ou seja, 158 votos.

A votação será realizada entre 16h e 18h (no horário de Brasília) em uma sala na Casa dos Comuns e o resultado divulgado assim que possível. / AFP

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