EFE/EPA/NEIL HALL
EFE/EPA/NEIL HALL

Brexit custaria US$ 18 bilhões às empresas europeias, diz Londres 

Ministro britânico do Comércio afirma, em congresso do Partido Conservador, que o não apenas o Reino Unido sairia prejudicado na falta de um acordo

O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2018 | 19h33

LONDRES - O ministro britânico do Comércio, Liam Fox, afirmou na abertura oficial do congresso do Partido Conservador, de Theresa May, que um  Brexit sem acordo poderia custar até US$ 18 bilhões por ano em tarifas para empresas europeias. Ele reiterou que não seria apenas o Reino Unido que sairia prejudicado na falta de um acordo. No entanto, defendeu que a falta de um pacto entre o bloco e o país ainda é melhor do que ficar “amarrado” à União Europeia. 

“Se não chegarmos a um acordo com a União Europeia isso também será muito prejudicial para o comércio europeu”, disse Fox. “É do interesse de todos que cheguemos a um acordo e o façamos o mais rápido possível.”

Um estudo divulgado no sábado pelo Centro para a Reforma Europeia (CER) indicou que o PIB britânico já seria hoje 2,5% inferior ao seu potencial em função da instabilidade trazida pelo referendo que resultou no Brexit, aprovado em junho de 2016. A economia britânica já teria perdido US$ 68 bilhões, ou US$ 650 milhões por semana. 

O congresso do partido vai até amanhã. May corre o risco de perder o cargo em razão do fracasso das negociações do Brexit com o bloco europeu. Seus ministros falaram um por um no congresso na cidade de Birmingham para alertar à UE que eles apoiam a saída sem um acordo se o bloco falhar em “demonstrar respeito” pelo Reino Unido nas negociações. 

O ministro do Brexit, Dominic Raab, disse que o Reino Unido não pode sofrer “bullying” por sua decisão de deixar o bloco europeu. 

O ministro das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, por sua vez, comparou a União Europeia à União Soviética. Ele acusou o bloco de querer “castigar” o Reino Unido por ter decidido sair e estabeleceu um paralelo com o regime soviético, que tentava impedir a saída de seus cidadãos. 

“O que aconteceu com a confiança e os ideais de sonho europeu? A UE estava destinada a proteger a liberdade. Era a União Soviética que impedia a saída das pessoas”, disse. “O clube europeu se transformou em prisão. O desejo de fugir não vai diminuir, mas sim aumentar. Não seremos o único prisioneiro a tentar fugir”, insistiu. 

O ministro foi criticado por fazer tal comparação. Peter Ricketts, secretário da chancelaria entre 2006 e 2010, função de maior responsabilidade no ministério, reagiu no Twitter e qualificou as declarações de “sandices indignas de um ministro britânico das Relações Exteriores”. 

“Independente de sua opinião sobre o Brexit, é um erro de julgamento deplorável para um ministro britânico das Relações Exteriores comparar a União Europeia à União Soviética”, escreveu no Twitter o sucessor de Ricketts, Simon Fraser, que também já deixou o cargo. 

A Grã-Bretanha deve deixar a UE em março de 2019, mas a apenas seis meses do divórcio as negociações não avançam. 

Hunt, considerado um possível sucessor de May como chefe de governo, também criticou – em uma entrevista ao jornal The Telegraph – Emmanuel Macron. O presidente francês alfinetou aqueles que prometeram maravilhas durante a campanha do referendo sobre o Brexit em 2016 e os chamou de “mentirosos”. 

“Se o presidente Macron pensa que vamos voltar de joelhos buscando desesperadamente retornar ao clube em alguns anos, nos conhece mal”, disse Hunt. / REUTERS, AFP e EFE 

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