Yui Mok/PA via AP
Yui Mok/PA via AP

Brexit levanta discussão sobre possível plano de retirada da família real 

Para especialistas, no entanto, falar sobre planos de retirada é precoce, lembrando que a realeza britânica permaneceu no Palácio de Buckingham durante a 2ª Guerra

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2019 | 19h42

LONDRES - A rainha Elizabeth II e membros da família real britânica devem ser levados secretamente para um local não revelado, fora de Londres, caso um cenário de Brexit sem acordo desencadeie conflitos na ruas, segundo informaram jornais britânicos no domingo. 

Com a saída britânica da União Europeia marcada para 29 de março, a primeira-ministra, Theresa May, está correndo contra o tempo, os legisladores não conseguem parar de brigar e os britânicos estão estocando de tudo, de partes de bicicleta a garrafas de vinho. A incerteza predomina, mas graças aos planos da época da Guerra Fria a rainha, pelo menos, estará a salvo.

"Esse plano de retirada existe desde a Guerra Fria e agora vem ganhando um novo propósito para um evento de desordem civil na sequência de um Brexit sem acordo", disse uma fonte do gabinete britânico ao Sunday Times. A fonte não quis revelar nenhum detalhe adicional sobre a localização. 

"Se houver qualquer problema em Londres, obviamente, é preciso remover a família real para esses locais estratégicos", disse Dai Davies, ex-chefe de proteção real da Scotland Yard, ao Times. "Se e como eles serão retirados (membros da família real) é super secreto e eu não posso falar sobre isso."

A realeza britânica permaneceu no Palácio de Buckingham durante a 2ª Guerra, apesar dos sérios temores por sua segurança. Para muitos britânicos, a monarquia representa a estabilidade e a esperança pelos dos períodos de revolta. Quando o palácio foi bombardeado com o rei e a rainha dentro dele, a rainha-mãe escreveu a famosa carta logo depois: "As crianças não vão sair a menos que eu o faça. Eu não irei a menos que seu pai o faça, o rei não deixará o país em nenhuma circunstância".

Para alguns comentaristas, a ideia de que a monarquia iria se levantar e sair na eventualidade de um Brexit sem acordo é difícil de se imaginar.

"A Família Real permaneceu em Londres durante a 2ª Guerra, mesmo quando a Luftwaffe (Força Aérea Alemã) estava jogando bombas na capital. Mas histórias de fontes opacas publicadas no Sunday Times e Mail on Sunday afirmam que o Brexit significará que talvez a rainha terá de ser 'retirada'. Realmente o Brexit tem deixado alguns meios de comunicação malucos", tuitou o jornalista Andrew Neil.

O deputado Jacob Rees-Mogg disse ao Mail no domingo que a discussão sobre um plano de retirada real demostra um pânico desnecessário.

Quando questionado sobre esses planos, o especialista em realeza Richard Fitzwilliams considerou os relatórios "extraordinários". "É inacreditável que (o plano) tenha recebido tanta exposição. Obviamente havia planos para manter a família real a salvo durante a Guerra Fria. É do conhecimento de todos que o rei e a rainha permaneceram no Palácio de Buckingham durante a Blitz."

Não há dúvida de que todos os tipos de planos estão sendo considerados se a possibilidade de agitação civil ligada ao Brexit for realmente considerada uma possibilidade, mas a ideia de que a monarca, o símbolo da unidade nacional e outros membros da família real devam ser retirados é simplesmente bizarro, afirmou o especialista.

Em um discurso no mês passado, a rainha britânica, de 92 anos, pediu que as pessoas tratem bem umas às outras apesar dos tempos difíceis e respeitem os "pontos de vista diferentes". As observações foram feitas em um período de tensão no Reino Unido e foram interpretadas como um aceno ao caos político que se desenrolou em Westminster - apesar da posição neutra da rainha em todos os temas políticos. / W. POST

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