REUTERS/Suzanne Plunkett
REUTERS/Suzanne Plunkett

Governo britânico estuda adiar Brexit para o fim de 2019, diz ‘Sunday Times’

Ministros alertaram a figuras importantes da City de Londres que a invocação do Artigo 50, que ativará o prazo de 2 anos para a saída do Reino Unido da UE, não deverá ser feita no início de 2017, pois a asministração não está preparada

O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2016 | 05h00

LONDRES - A saída do Reino Unido da União Europeia pode ser adiada até pelo menos o final de 2019, pois o governo está muito “caótico” para dar início no começo do ano que vem ao processo, que deve durar dois anos, revelou neste domingo uma reportagem do jornal Sunday Times, citando fontes que diziam ter informações de ministros britânicos sobre a questão.

O Reino Unido votou pela saída da União Europeia em 23 de junho, mas há diferentes visões sobre quando deveria se invocar o Artigo 50, que dá início à contagem do prazo de dois anos para o país deixar o bloco, enquanto alguns políticos experientes têm pedido por uma saída rápida.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, que fez campanha para a permanência do Reino Unido na UE e conduz um conselho de ministros de ambos os lados do debate, disse que não estimulará negociações do chamado Brexit (Britain exit) este ano, uma vez que o Reino Unido precisa de tempo para se preparar.

Ministros do governo britânico, no entanto, alertaram figuras importantes na City de Londres, o distrito financeiro da capital, que o Artigo 50 também não deve ser acionado no início de 2017, pois a situação no governo está “caótica”, segundo o jornal Sunday Times.

“Os ministros estão agora pensando que o gatilho (do Artigo 50) pode ser adiado até o outono de 2017 (primavera no Brasil)”, disse ao jornal uma fonte que havia falado com dois ministros britânicos.

Questionada sobre o atraso no acionamento do Artigo 50, uma porta-voz de May disse: “A primeira-ministra foi clara de que a prioridade desse governo é entregar a decisão do povo britânico de deixar a UE e fazer do Brexit um sucesso”.

Líderes europeus têm adotado posições firmes quanto à velocidade da saída do Reino Unido da União Europeia. “Londres tem tempo, mas não indefinidamente”, disse a chanceler alemã, Angela Merkel. Ela alertou que prolongar a situação de limbo não será benéfico “nem para o povo britânico nem para os Estados da UE”.

Outros líderes, como o presidente da França, François Hollande, e o presidente da Comissão Europeia (Poder Executivo do bloco), Jean-Claude Juncker, pediram a Londres que negocie sua saída o quanto antes a fim de “evitar prolongar a incerteza”. Mas, nos bastidores, há um crescente entendimento de que uma janela de dois anos para a negociação do Brexit é muito curta.

Logo após o referendo, Merkel alertou o Reino Unido que os britânicos não poderão escolher somente as partes da União Europeia que lhes interessam, como o mercado comum, sem aceitar princípios como a livre circulação quando negociarem sua saída do bloco. A livre circulação de pessoas é um dos princípios básicos da UE, mas os defensores da saída britânica atraíram muito apoio por rejeitar as regras de imigração do bloco.

Crimes de ódio. O Ministério de Interior e Justiça do Reino Unido anunciou ontem a criação de um novo organismo destinado a combater crimes de ódio cometidos na internet, em resposta ao aumento percebido após o referendo que aprovou a saída do Reino Unido da UE.

O “Centro de Crimes de Ódio Online” será integrado por agentes treinados para apoiar as vítimas e identificar aqueles que se escondem atrás das telas de computador e celulares para fazer ataques dessa natureza, que incluem racismo e xenofobia. O ministério fornecerá 450 mil libras (R$ 1.856.721) ao projeto, cujo custo total durante os próximos dois anos será de 1,7 milhões de libras (R$ 7.014.279), segundo fontes oficiais.

Um relatório elaborado pelo Escritório de Polícia e Crimes da Prefeitura de Londres constatou o papel que possui o cenário online no aumento de crimes de ódio contra indivíduos e comunidades. A análise indicou que as redes sociais oferecem aos criminosos a vantagem do anonimato, o que dificulta a tarefa de levar os autores desses crimes a julgamento. 

Também detectou que a resposta das forças de ordem a esse tipo de crime é “inconsistente” em razão do fato de que os agentes carecem do preparo técnico necessário para desenvolver o trabalho.

A nova unidade tentará estabelecer vínculos com grupos de voluntários que se dedicam a rastrear a rede em busca de incidentes de ódio. A polícia britânica informou no mês passado que os ataques de ódio aumentaram em 20% em Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte na primeira metade de julho, em relação ao mesmo período do ano passado, após a consulta sobre o “Brexit”, em 23 de junho. O número de incidentes dessa natureza alcançou os 3.001 entre 1.º e 14 de julho, enquanto na segunda quinzena do mês passado foram 3.192. / EFE e REUTERS

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.