Brexit: saída sem acordo é cada vez mais real, adverte União Europeia

Brexit: saída sem acordo é cada vez mais real, adverte União Europeia

A 43 dias da data prevista para o divórcio com o Reino Unido, líderes europeus pedem uma negociação verdadeira entre Londres e Bruxelas

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2019 | 08h13

ESTRASBURGO, FRANÇA - Líderes da União Europeia (UE) advertiram nesta quarta-feira, 18, para o risco "muito real" de um Brexit sem acordo, a 43 dias da data prevista para o divórcio com o Reino Unido, e pediram uma negociação verdadeira entre Londres e Bruxelas.

"O risco de uma saída sem acordo continua sendo muito real, um cenário que nunca será a opção da UE", afirmou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, na Eurocâmara em Estrasburgo, na França.

O acordo do Brexit, concluído em novembro pela então primeira-ministra britânica, Theresa May, e rejeitado em três votações pelo Parlamento do Reino Unido, está em ponto morto desde então.

O sucessor dela em Londres, Boris Johnson, exige a retirada do pacto da "salvaguarda irlandesa", mecanismo que pretende evitar o retorno de uma fronteira para produtos entre a Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte.

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Mas os europeus, que consideram este mecanismo de último recurso essencial para proteger os acordos de paz da Sexta-Feira Santa de 1998 e a integridade do mercado interno europeu, exigem de Johnson alternativas ao que havia sido acordado com May.

Reunião em Luxemburgo

O premiê britânico e o presidente da Comissão Europeia se reuniram na segunda-feira em Luxemburgo, quando o governo do Reino Unido esboçou "os aspectos da salvaguarda que não o agradam", explicou o principal negociador europeu, Michel Barnier.

"Isto não é suficiente para alcançar uma solução. Precisamos de uma solução juridicamente operacional no acordo de retirada, que aborde cada um dos riscos", declarou Barnier aos eurodeputados.

Dificuldades para o divórcio

Quase 52% dos eleitores britânicos apoiaram o Brexit em um referendo realizado em junho de 2016, mas, três anos depois, o Reino Unido continua sem conseguir encontrar a maneira de concretizar o primeiro divórcio na história do projeto europeu.

Os opositores de Johnson o acusam de tentar ganhar tempo com as discussões com Bruxelas para anunciar uma saída sem acordo. A estratégia dele tem críticos inclusive dentro de seu partido e no Parlamento, onde perdeu a maioria.

"Quase três anos depois do referendo, não se trata de agir como se estivéssemos negociando", afirmou Barnier, sem mencionar o Reino Unido. "Nos compete continuar este processo com determinação.”

A Eurocâmara pretende exigir nas próximas horas em uma resolução que um acordo não pode ser alcançado sem uma solução clara para a fronteira na ilha da Irlanda e que o Reino Unido seria o responsável por um eventual divórcio "duro". / AFP

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