AP Photo/Matt Dunham
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Brexit sem acordo implica volta da fronteira na Irlanda, diz UE

Porta-voz da Comissão Europeia diz que se Parlamento britânico não aprovar plano negociado pela premiê Theresa May, e já ratificado pelos outros 27 países do bloco, divisa entre Irlanda e Irlanda do Norte será reinstalada

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2019 | 12h14

BRUXELAS - A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) sem um acordo de separação implicaria na reintrodução de uma "fronteira física" entra a Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte, alertou nesta terça-feira, 22, um porta-voz da Comissão Europeial.

"Se querem que especule sobre o que ocorreria na Irlanda em um cenário de falta de acordo, creio que é bastante óbvio: haverá uma fronteira física", afirmou o porta-voz da UE, Margaritis Schinas.

A declaração de Schinas foi feita um dia depois de a primeira-ministra britânica, Theresa May, propor um novo plano para tentar modificar o ponto mais polêmico do acordo de saída do bloco econômico negociado com Bruxelas e rejeitado pelo Parlamento na semana passada.

May tenta chegar a um consenso para acabar com o bloqueio ao texto criado, principalmente, pelo recurso conhecido como "backstop", um mecanismo de segurança criado para evitar a reinstalação de uma fronteira na ilha da Irlanda e preservar o Acordo de Paz da Sexta-feira Santa, também conhecido como Acordo de Belfast, assinado em 1998.

Schinas, que expressou o apego da Comissão a este acordo que pôs fim a três décadas de conflito sangrento, disse que "nada de novo veio de Londres" desde as declarações do premiê na véspera da apresentação de seu Plano B.

"Esperamos que os britânicos nos digam o que querem realmente", completou o porta-voz, ressaltando que os europeus ainda defendem o plano A, "que está refletido no acordo de saída" ratificado pelos líderes da UE em 25 de dezembro.

O bloco político e econômico já rechaçou anteriormente a possibilidade de modificar ou retirar o backstop do acordo, mas May parece esperar que um apoio do Parlamento na nova votação marcada para o dia 29 lhe permita convencer Bruxelas da necessidade de renegociar este ponto a apenas dois meses da data prevista para o Brexit: 29 de março.

Nova votação

O líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, de oposição, deu mais um passo em direção à realização de um segundo referendo sobre a desfiliação do Reino Unido à União Europeia ao tentar usar o Parlamento para tomar o controle do Brexit das mãos de May.

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O partido apresentou uma emenda para forçar o governo a dar ao Parlamento tempo para considerar e votar algumas opções para impedir uma saída “sem acordo”.

Entre as opções, afirmou a legenda, deve estar uma união aduaneira permanente com a UE e “um voto público sobre o acordo” - ambas propostas que May tem descartado.

O partido, que está dividido sobre o Brexit, disse que a proposta não quer dizer que eles apoiem a realização de um segundo referendo, mas simplesmente reflete sua política existente.

“É hora do plano alternativo do Partido Trabalhista assumir papel central, enquanto mantemos todas as opções sobre a mesa, incluindo a opção de uma votação pública”, disse Corbyn, que colocou seu nome na emenda. “Nossa emenda permitirá que parlamentares votem em opções para encerrar esse impasse sobre o Brexit e prevenir o caos de uma (saída) sem acordo”, disse.

Não ficou claro, entretanto, se a emenda trabalhista conseguirá reunir apoio no Parlamento, ou qual das diversas opções mencionadas irá eventualmente se tornar o caminho preferido pelo partido. / AFP e REUTERS

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