Olivier Hoslet/AFP
Olivier Hoslet/AFP

Brexit: União Europeia e Reino Unido concordam em retomar negociações

Embora o país tenha deixado a UE em 31 de janeiro, ele permanece no mercado único livre de tarifas e na união aduaneira do bloco até o fim deste ano 

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2020 | 15h51

LONDRES - As discussões comerciais pós-Brexit entre a União Europeia e o Reino Unido serão retomadas no domingo, 6, após uma pausa nas negociações devido à incapacidade de se superar uma série de diferenças entre as partes, anunciaram neste sábado, 5, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen

 

Em uma declaração conjunta após uma conversa telefônica entre eles, Johnson e Ursula disseram que um "esforço adicional" deve ser realizado por suas respectivas equipes de negociação para avaliar se as diferenças significativas podem ser resolvidas.

Em sua declaração, a dupla observou que o progresso foi alcançado em muitos áreas, incluindo nas questões de direitos de pesca, de igualdade de condições - os padrões que o Reino Unido deve cumprir para exportar para o bloco - e como futuras disputas serão resolvidas.

"Ambos os lados sublinharam que nenhum acordo é viável se essas questões não forem resolvidas", disseram eles. "Embora reconhecendo a seriedade dessas diferenças, concordamos que um esforço adicional deve ser realizado por nossas equipes de negociação para avaliar se elas podem ser resolvidas."

Na segunda-feira, haverá um novo contato entre Ursula e Johnson. "Nenhum acordo é alcançável" se não forem resolvidas as diferenças que persistem, assinalou Ursula neste sábado, em uma declaração à imprensa em Bruxelas.

Com o período de transição pós-Brexit do Reino Unido previsto para terminar no fim do ano, as discussões estão claramente em um ponto crítico, especialmente pelas aprovações necessárias exigidas de ambos os lados depois que os negociadores chegam a um acordo.

Sem acordo, as tarifas vão acabar sendo impostas às mercadorias comercializadas no início de 2021.

Embora o Reino Unido tenha deixado a UE em 31 de janeiro desde ano, o país permanece dentro do mercado único livre de tarifas e da união aduaneira do bloco até o fim deste ano. 

Um acordo comercial até então garantiria que não houvesse tarifas e cotas no comércio de mercadorias entre os dois lados, mas ainda haveria custos técnicos, em parte associados a controles aduaneiros e barreiras não tarifárias aos serviços.

Ambos os lados sofreriam economicamente se não conseguissem fechar um acordo comercial, mas a maioria dos economistas acha que a economia britânica sofreria um golpe maior, em pelo menos no curto prazo, pois é relativamente mais dependente do comércio com a UE do que vice-versa./AP e AFP

 

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