Brics cobrarão reformas internacionais

Como em São Petersburgo, em 2013, economias emergentes pedirão mudanças efetivas para o FMI e o Banco Mundial

LISANDRA PARAGUASSU, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2014 | 02h02

A criação de um banco de desenvolvimento próprio e do Arranjo Contingente de Reservas (CRA) não tirou dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) a intenção de ver uma reforma efetiva no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial.

A declaração final da Cúpula dos Brics, que ocorre esta semana em Fortaleza, vai bater duro na falta de ação dos países desenvolvidos para permitir as mudanças no chamado sistema de Bretton Woods, além de destacar a frustração por nenhuma das propostas ter caminhado, apurou o Estado. A reforma do FMI e do Banco Mundial é uma das questões centrais para os países emergentes e, em especial, para os Brics, que estão hoje entre as maiores economias do mundo, mas, pela formatação das duas instituições - criadas logo depois da 2.ª Guerra - tem menos poder decisório do que nações como a Bélgica. Em tese, a reforma é um consenso entre os países desenvolvidos e foi tema central, em 2010, da declaração do G-20 (grupo das 20 nações mais ricas). Mas de lá para cá nada andou.

A declaração dos Brics deve ter a mesma linha da última reunião no G-20, no ano passado em São Petersburgo, Rússia. Influenciado pelos emergentes, o texto afirmava que a reforma é "urgente e indispensável para credibilidade, legitimidade e eficiência dos organismos", mas tem tom mais leve. O texto dos Brics deve cobrar a reforma de forma mais dura.

Neste momento, os assuntos vão das crises regionais às questões econômicas, passando por temas tão variados como meio ambiente e tráfico de drogas. Nem tudo ficará no texto final. Isso não significa, no entanto, que nada será mudado até terça-feira, quando os presidentes se reúnem. Negociadores explicam que ainda há outras duas instâncias, pelo menos, antes de o texto chegar às mãos dos presidentes.

Alguns dos pontos centrais da declaração, defendidos pelo Brasil, será a questão do crescimento sustentável, inclusão social e geração de empregos. O texto deverá focar também na necessidade de crescer criando empregos de qualidade e na necessidade dos cinco países se unirem para desenvolver as próprias infraestruturas, um desafio que deverá ser ajudado pela criação do Banco de Desenvolvimento do grupo, também parte central da reunião.

Outro tema delicado poderá entrar no texto final, apesar dos esforços do governo brasileiro para que não fosse tocado: a crise entre Rússia e Ucrânia. Até sexta-feira, a declaração final continha um parágrafo em que os cinco países condenavam as sanções adotadas por EUA e União Europeia contra os russos, sem citar os destinatários.

Para tornar o texto mais palatável a todos - apenas a China apoiou abertamente a ação russa na Ucrânia -, a declaração deve condenar sanções de uma forma genérica e cobrar o respeito às decisões da ONU, onde as ações contra a Rússia não foram aprovadas. O Brasil preferia passar ao largo do tema, mas, em meio à crise, a preferência dos negociadores, até agora, foi por não deixar de fortalecer a posição do bloco também com uma união política.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.