Brics prometem US$ 75 bilhões para reforçar muralha anticrise do FMI

Brasil entrará com US$ 10 bi; emergentes condicionam recursos à aprovação de reforma.

Pablo Uchoa, BBC

19 de junho de 2012 | 11h51

Os cinco países que formam os Brics - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - vão contribuir com US$ 75 bilhões para reforçar o caixa do Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo declarou a diretora-gerente do órgão, Christine Lagarde, durante a reunião das 20 maiores economias emergentes e avançadas do mundo, no México.

O total de contribuições, segundo Lagarde, eleva em US$ 456 bilhões os recursos da muralha anticrise do FMI- praticamente dobrando-a. O montante é mais do que a expectativa estabelecida por Lagarde em abril, quando o Fundo fez a maioria das captações, mas ainda menos do que alguns novos cálculos defendem.

"Um total de 37 países-membros, o que representa cerca de três quintos das cotas do FMI, se juntou a esse esforço coletivo. Esses recursos estarão disponíveis para a prevenção e resolução de crises, além de ajudar nas possíveis necessidades de financiamento desses países", disse Lagarde, em pronunciamento em Los Cabos (México), durante a reunião do G-20.

Na segunda-feira, os Brics se reuniram em Los Cabos, antes do início oficial do G20, para discutir os números finais: o Brasil entrará com US$ 10 bilhões, mesmo valor oferecido por Rússia e Índia. A China disponibilizará US$ 43 bilhões.

Além disso, o FMI afirmout que França e Alemanha se comprometeram a aportar 31,4 bilhões de euros e 41,5 bilhões de euros, respectivamente.

Condições

Na segunda-feira, Mantega disse a jornalistas em Los Cabos que os recursos seriam aportados apenas com a condição de que sejam utilizados só depois de esgotadas outras fontes de recursos do FMI.

Além disso, os Brics querem que o Fundo complete até outubro a sua reforma das cotas aprovada em 2010. A mudança precisa ser aprovada nos Parlamentos de um quinto dos países.

"Sabemos das dificuldades dos países (de aprovar a reforma de cotas de 2010) e vamos pressionar por ela. Mas o dinheiro que nós vamos colocar no FMI virá depois do dinheiro que já foi colocado lá, então os prazos poderão coincidir", afirmou o ministro.

"A gente vai declarar agora que vai fazer um aporte adicional, mas não é um desembolso. O Fundo Monetário ainda tem muitos recursos dos aportes anteriores, então de certa forma acaba coincidindo. Provavelmente vamos aprovar na mesma época em que a reforma de cotas seja levada a cabo." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
economiatopbricspablo uchoa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.