Chaideer Mahyuddin/AFP
Chaideer Mahyuddin/AFP

Brigada feminina aplica a sharia na Indonésia

Aceh, no extremo norte da Ilha de Sumatra, é a única região da Indonésia que aplica a lei islâmica

Haeril Halim / France-Presse, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2020 | 08h00

ACEH, INDONÉSIA - Com o corpo e o rosto cobertos e uma vara na mão, a mulher avança, levanta o braço e açoita a condenada ajoelhada. É a nova integrante de uma brigada feminina encarregada de punir as mulheres que violam a sharia (lei islâmica) na Província de Aceh, na Indonésia.

A condenada é uma mulher solteira detida no quarto de um hotel com um homem. Vestida de branco e com a cabeça coberta, ela não se move. Somente suas mãos tremem, sinal do sofrimento suportado. Zakwan, investigador-chefe da polícia religiosa, está satisfeito com sua recruta. “Sua técnica é boa.”

Aceh, no extremo norte da Ilha de Sumatra, é a única região da Indonésia que aplica a sharia. Esta província conservadora tem uma relativa independência desde a assinatura de um acordo com o governo de Jacarta, em 2005, para pôr fim a um conflito de várias décadas com rebeldes separatistas.

O presidente indonésio, Joko Widodo, e as organizações de defesa dos direitos humanos pedem o fim da flagelação, mas a punição continua sendo aplicada na província.

Em Aceh, onde o uso do véu é obrigatório para as mulheres, se castiga o adultério, as relações sexuais fora do casamento ou entre pessoas do mesmo sexo. O consumo de bebidas alcoólicas e o jogo são vetados. O cinema também foi proibido para evitar comportamentos “não islâmicos”.

São 10 açoites em caso de transgressão por um gesto de afeto em público, 40 por beber álcool, e mais de 100 em caso de relação homossexual ou com um menor de idade. 

As distrações são escassas na província

Nos últimos anos, aumentou o número de mulheres condenadas por delitos religiosos e Aceh decidiu criar uma brigada feminina para aplicar as punições. No ano passado, 43 homens e 42 mulheres foram condenados a açoitamento.

Em Aceh, província com 220 mil habitantes, as distrações para os jovens são escassas. Geralmente são passeios pela cidade ou pela praia. Mas a polícia religiosa está em todas as partes. 

As patrulhas percorrem espaços públicos, restaurantes, cafés, vigiam a população dia e noite e atuam com base em denúncias.

 

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