LAURA LEAN / POOL / AFP
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Britânica do EI dá à luz em campo de refugiado e pede 'compaixão' para voltar para casa

A jovem, do bairro londrino de Bethnal Green, deixou sua casa quando tinha 15 anos junto com duas amigas da mesma idade para se juntar ao grupo

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2019 | 21h06

LONDRES - Uma jovem britânica que se uniu ao grupo extremista Estado Islâmico (EI) na Síria em 2015 e que está em um campo de refugiados no país onde deu à luz um bebê neste fim de semana, pediu neste domingo, 17, "compaixão" e autorização para voltar ao Reino Unido.

Seu caso ilustra o dilema enfrentado por vários governos europeus, divididos entre proibir o retorno de seus cidadãos extremistas por questões de segurança ou permitir que retornem para julgamento.

"Acabei de dar à luz, então estou realmente cansada", afirmou Shamima Begum à emissora Sky News. Esse é o terceiro filho da jovem de 19 anos de Londres a nascer na Síria. Os dois primeiros bebês morreram de doenças e desnutrição. 

Shamima Begum expressou novamente sua intenção de retornar ao Reino Unido. "Após a morte do meu (outro) filho, percebi que é necessário que eu saia, por causa dos meus filhos". Ela disse que teme que seu recém-nascido "morra no acampamento" dos refugiados de Al Hol, no nordeste da Síria, onde ela está atualmente. 

"As pessoas deveriam ter compaixão por mim, por tudo que eu experimentei", disse Shamima Begum. "Eu não sabia no que estava me metendo quando saí (da Inglaterra)."

Antes dessas declarações, sua família tinha divulgado um comunicado pelo Twitter de seu advogado, Mohamed Akunjee:"Soubemos que Shamima deu à luz seu filho, entendemos que ela e seu bebê estão bem". 

A família reforçou que não tem "nenhum contato direto" com a jovem.

Fuga

A jovem, do bairro londrino de Bethnal Green, deixou o país quando tinha 15 anos junto com Amira Abase, também de 15 anos, e Kadiza Sultana, que então tinha 16 anos, mas que aparentemente morreu em território sírio em um ataque aéreo russo.

Em fevereiro de 2015, as três meninas viajaram desde o aeroporto de Gatwick com destino à Turquia depois de dizer aos pais que iriam passear.

Uma vez na Turquia, as adolescentes cruzaram a fronteira à Síria e, após chegar à cidade de Raqqa, permaneceram em uma casa com outras mulheres que iriam se casar com radicais islâmicos.

Segundo Begum, dias depois de chegar à Síria, ela se casou com um jovem holandês de 27 anos que tinha se convertido ao Islã e esteve com ele até há duas semanas, quando deixaram a cidade de Baghuz, o último território do EI no leste sírio.

O presidente americano Donald Trump pediu para Grã-Bretanha, França, Alemanha e outros aliados europeus repatriarem mais de 800 combatentes do EI capturados na Síria para que sejam julgados".

"Não temos alternativa já que estaremos obrigados a libertá-los. Os Estados Unidos não querem que esses combatentes do EI se espalhem pela Europa", insistiu./AFP e EFE 

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