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Britânico conhecido como ‘Jihadi John’ morre em ataque aéreo dos EUA, diz BBC

Segundo emissora britânica, forças americanas atacaram o veículo em que o terrorista estava; Cameron diz que ainda não é possível confirmar a informação

O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2015 | 08h37

LONDRES - O britânico Mohammed Emwazi, conhecido como "Jihadi John" e um dos terroristas mais procurados do mundo por aparecer em vários vídeos realizando a decapitação de ocidentais pelo Estado Islâmico (EI), morreu nesta sexta-feira, 13, em um ataque dos EUA na Síria, segundo informações de fontes militares à rede britânica BBC.

Com "alto grau de certeza", Jihadi John morreu no ataque que aconteceu nos arredores da cidade de Raqqa, no norte da Síria, acrescentaram as fontes. Segundo a emissora, Emwazi e outra pessoa que estava com ele morreram quando as forças dos EUA atacaram, com a ajuda de um drone, o veículo no qual os dois estavam.

“Um carro que transportava líderes do Estado Islâmico, incluindo um jihadi britânico, foi atingido por ataques aéreos”, disse Rami Abdulrahman, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos. “Todas as fontes dizem que o corpo de um importante jihadista está no hospital de Raqqa. Todas as fontes dizem que é do ‘Jihadi John’, mas eu não posso confirmar.”

Se a morte dele for confirmada, será um importante feito na campanha liderada pelos EUA contra o grupo extremista e aconteceria pouco mais de um ano depois de o presidente Barack Obama prometer justiça após as mortes de reféns americanos.

Autoridades britânicas ainda não apresentaram informações sobre a operação americana, mas os meios de comunicação esperam que o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, faça um pronunciamento nesta sexta-feira.

Até o momento, Cameron disse que “não pode confirmar se os ataques contra o Jihadi John foram bem-sucedidos”. Ele ainda afirmou, segundo informações da CNN, que a ação foi “um ato de autodefesa” e “a coisa certa a se fazer”. “Se o ataque foi bem-sucedido, e nós ainda estamos aguardando a confirmação disso, será um ataque no coração do EI”, destacou o premiê.

Confirmação. Confirmar uma morte em ataques direcionados por aviões ou drones em um território hostil é um trabalho feito a partir do monitoramento de comunicações, seja por telefone ou rádio, na área em que acontecem as operações.

Segundo o jornal britânico The Guardian, um método infalível de obter essa confirmação é extrair uma amostra do DNA dos restos mortais da vítima, checar e comparar com o material obtido de parentes.

Se Emwazi realmente morreu no ataque a drones, o EI provavelmente fará um pronunciamento próprio, além de talvez negar que foi uma ação promovida por americanos. Em razão da habilidade do grupo em fazer propagandas, qualquer discurso será sujeito a um exame de verificação.

Jihadi John nasceu no Kuwait em 1988 e apareceu nos vídeos do EI que mostravam os assassinatos dos jornalistas americanos Steven Sotloff e James Foley, do voluntário americano Abdul-Rahman Kassig, dos voluntários britânicos David Haines e Alan Henning, e do jornalista japonês Kenji Goto.

Emwazi chamou a atenção do serviço secreto britânico em agosto de 2014, quando o EI divulgou um vídeo no qual aparecia encapuzado e decapitando James Foley, sobretudo, por seu forte sotaque londrino.

Na Grã-Bretanha, Emwazi estudou em um colégio secundário do norte de Londres e depois cursou informática na Universidade de Westminster, na capital britânica. Aparentemente, o terrorista deixou o país em 2013 para viajar à Síria e se juntar ao EI. /EFE, REUTERS e ASSOCIATED PRESS

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