AFP PHOTO / Oli SCARFF
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Britânico de origem líbia é autor de atentado; alerta máximo é acionado

22 pessoas morreram e 59 ficaram feridas, entre os quais várias crianças, no pior atentado terrorista cometido no Reino Unido em 12 anos; Estado Islâmico reivindica ação, que deixa britânicos em estado de alerta máximo

Andrei Netto, Correspondente / Paris , O Estado de S.Paulo

24 Maio 2017 | 05h05

Um britânico de origem líbia de 22 anos, Salman Ramadan Abedi, praticou o pior atentado terrorista no Reino Unido em 12 anos. Ele detonou uma mochila com explosivos na saída de um show da americana Ariana Grande, que atrai principalmente crianças e adolescentes. O grupo Estado Islâmico reivindicou a autoria da ação, que deixou 22 mortos e 59 feridos em Manchester.

Filho mais velho de um casal de líbios que fugiram do regime de Muamar Kadafi e se radicaram no Reino Unido, Abedi nasceu em solo britânico e viveu por uma década no bairro residencial de Fallowfield, no sul de Manchester. De acordo com o chefe de polícia encarregado do caso, Ian Hopkins, o jovem foi o único autor do ataque. 

As primeiras pistas indicam que Abedi morreu no momento da detonação. Antes de chegar à Manchester Arena e posicionar-se perto das bilheterias, em um local de alto fluxo de pessoas, o terrorista havia passado pela estação de trens de Victoria, uma das principais da cidade. O objetivo mais imediato da polícia era entender se o terrorista agiu sozinho ou contou com o apoio de uma célula jihadista adormecida.

Segundo comunicado distribuído pelo EI por meio de seu órgão de propaganda, a Amaq, Abedi é um dos “soldados do califado”. O grupo terrorista adverte ainda que novos ataques podem ocorrer em território britânico. Depois do segundo atentado em dois meses reivindicado pelo grupo, o governo britânico anunciou a elevação do nível de alerta contra a ameaça terrorista para seu patamar mais elevado – a primeira vez desde 2006.

O ataque à Manchester Arena ocorreu por volta das 22h30 de segunda-feira, horário local, 18h30 em Brasília. Fragmentos dispersados pela explosão atingiram centenas de pessoas que se preparavam para deixar a casa de shows, com capacidade para 21 mil espectadores. Além de ferir quem estava próximo, a detonação também provocou pânico entre os jovens, que forçaram as passagens para deixar o local. Cenas divulgadas por cinegrafistas amadores mostram o ruído e a correria causada pela explosão. Tão logo os serviços de resgate chegaram ao local, teve início a remoção dos feridos para oito hospitais da cidade. Ainda na tarde de ontem, pais procuravam notícias sobre filhos desaparecidos.

O atentado também causou pânico ontem no centro da cidade, onde houve correria no fim da manhã. No momento em que a polícia realizava uma operação para prender um dos suspeitos de serem cúmplices do ataque, um shopping center foi esvaziado em razão dos rumores de um novo atentado. 

“Nós podemos confirmar a prisão de um homem de 23 anos no sul de Manchester”, informou a polícia, sem dar detalhes sobre os eventuais vínculos do suspeito com Abedi. Segundo Hopkins, “os serviços antiterroristas nacionais e os serviços de inteligência parceiros do Reino Unido” trabalham na investigação.

Theresa May qualificou o atentado de “ataque terrorista horrível e impiedoso”, que mirou de forma deliberada crianças inocentes e indefesas. A rainha Elizabeth II manifestou sua “mais profunda simpatia a todos aqueles afetados por esse terrível evento”, que qualificou de “ato bárbaro”.

Em meio à campanha eleitoral suspensa para a renovação do Parlamento, o líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn evitou críticas à atual premiê, preferindo pedir união nacional frente aos agressores. “O povo britânico está unido e determinado para que o terrorismo não divida nossas comunidades, como os que cometeram o ataque desejam”, disse. 

O atentado de Manchester é o mais violento no Reino Unido desde a série de ataques suicidas de julho de 2005, que deixaram 48 mortos, além dos 4 terroristas. O último ataque, cometido por um homem que acelerou contra a multidão no centro de Londres, antes de tentar invadir Westminster, a sede do Parlamento, deixou cinco mortos dois meses atrás. 

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