Britânico pede ‘menos Europa’ para ficar na UE

Premiê apresenta lista de reformas; plebiscito sobre permanência britânica ocorre em junho

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2015 | 06h46

PARIS - Em um histórico discurso realizado em Londres, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, fixou nesta terça-feira, 10, uma lista de quatro reformas a serem realizadas pela União Europeia em troca do apoio de seu governo à campanha pela permanência do país no bloco de 28 nações.

Entre as exigências estão mais mercado comum, menos regulação e menos integração, enterrando a ideia de federalização do bloco nos “Estados Unidos da Europa”. As mudanças são o pré-requisito para a abertura de negociações entre Londres, Berlim e Paris, a serem realizadas antes do plebiscito sobre a permanência britânica no bloco, previsto para junho.

O premiê confirmou a expectativa de que questionaria a essência do projeto de construção da UE. “Os britânicos não querem uma união política profunda, mas um bloco econômico”, disse.

As quatro condições apresentadas foram a não discriminação entre um país-membro da zona do euro e outro membro apenas da UE – caso da Grã-Bretanha – ; mais ênfase em competitividade e no mercado comum; reforço do poder de veto dos parlamentos nacionais; e discriminação entre cidadãos do país e de outras nações europeias no que diz respeito à concessão de benefícios sociais. Cameron disse desejar “uma Europa mais competitiva, com mais igualdade entre um membro e um não membro da zona do euro, uma isenção da noção de ‘união cada vez mais estreita’ e uma redução da pressão migratória”. Para o premiê, tudo se resume a mais “flexibilidade”.

“A UE precisa de flexibilidade entre aqueles que querem uma integração econômica e política muito maior e países como a Grã-Bretanha, que não abraçarão jamais este objetivo”, afirmou, ressaltando o grande ponto de seu discurso: “O engajamento num tratado que visa a uma união cada vez mais integrada não é um engajamento ao qual a Grã-Bretanha possa subscrever”. “Não acreditamos nisso, não subscreveremos isso e temos uma outra visão para a Europa”, sentenciou.

Nas entrelinhas do discurso, está a ideia de que a Grã-Bretanha esteja menos integrada à UE, mas que seu Parlamento ainda assim possa impedir a adoção de uma legislação em nível europeu. Além disso, o premiê quer que países da UE não tenham de participar de programas de socorro de nações da zona do euro, como ocorreu com a Grécia. “A resposta nem sempre é mais Europa. Às vezes é menos Europa”, argumentou.

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