Britânico seqüestrado ressalta sofrimento do povo iraquiano

O britânico Norman Kember, de 74 anos, lembrou neste sábado o sofrimento do povo iraquiano em seu retorno ao Reino Unido após quatro meses seqüestrado em um cativeiro de Bagdá, de onde foi resgatado na última quinta-feira. Em suas primeiras palavras à imprensa, pronunciadas no aeroporto de Heathrow (Londres), Kember evitou falar de sua odisséia e lembrou que são os iraquianos, "que sofreram tanto durante tantos anos e ainda esperam por uma sociedade estável e justa, de forma merecida", que têm algo a dizer. Em comunicado lido perante repórteres, Kember pediu que os parentes dos soldados britânicos mortos no Iraque sejam lembrados e solicitou tempo para refletir sobre sua experiência, para discernir se "foi uma loucura ou algo racional". Após suas breves palavras no aeroporto de Heathrow, Kember, acompanhado de sua família, voltou para sua casa em Pinner, no oeste de Londres. Kember, cristão e pacifista, mostrou sua satisfação em poder reunir-se com sua esposa, Pat, e com sua família. Além disso, agradeceu os sinais de apoio que recebeu de pessoas de todas as religiões. Seu retorno ao Reino Unido, em um avião de British Airways procedente do Kuwait, esteve rodeado de polêmica, já que nem ele nem a organização para a qual trabalhava no Iraque, a Christian Peacemakers Teams (CPT), agradeceram expressamente em um primeiro momento o trabalho dos soldados que o resgataram. "Embora eu não acredite que a paz possa ser obtida pela força, quero render um tributo à coragem dos que participaram de meu resgate", disse ele em uma tentativa de dissipar a controvérsia. Kember e dois colegas canadenses da CPT foram libertados na última quinta-feira em uma operação liderada pelas forças especiais SAS do Exército britânico com a ajuda de soldados dos Estados Unidos. O britânico foi seqüestrado em 26 de novembro do ano passado em Bagdá junto com os canadenses James Loney, de 41 anos, e Harmeet Singh Sooden, de 32, além do americano Tom Fox, de 54, que foi encontrado morto no Iraque há duas semanas.

Agencia Estado,

25 Março 2006 | 13h19

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