Britânicos anunciam nova descoberta de petróleo nas Malvinas

Extração em novo poço na bacia do arquipélago deve aumentar a disputa com a Argentina pelo [br]controle das ilhas

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

A petrolífera britânica Rockhopper, que atua na região das Malvinas, anunciou ontem a descoberta de novas e grandes reservas de petróleo na região. A empresa pretende iniciar a extração em 2016. A exploração deve aumentar ainda mais a disputa entre Argentina e Grã-Bretanha pelo território, num momento em que a presidente Cristina Kirchner busca a reeleição, em outubro.

A Rockhopper deve investir mais de US$ 2 bilhões na perfuração do poço na bacia marítima ao norte das Ilhas Malvinas. A produção poderia chegar a 120 mil barris diários em 2018. O sucesso na área petrolífera permitiria que as ilhas - chamadas de Falklands pelos britânicos - obtivessem maior autonomia, o que irritaria o governo argentino.

A devolução das ilhas, que estiveram sob o controle da Argentina durante 13 anos (de 1820 a 1833), é um dos poucos consensos da opinião pública e dos partidos políticos argentinos. As Malvinas estão sob domínio britânico há 179 anos.

As discussões sobre a soberania do arquipélago foram suspensas pelos britânicos desde a guerra de 1982. Desde então, o governo argentino tentou as mais variadas estratégias para recuperar as ilhas. A ofensiva diplomática argentina intensificou-se após 2009, quando surgiram os primeiros sinais da presença de petróleo no arquipélago.

O governo Kirchner impediu a escala de navios que transportem cargas que possam supostamente ser usadas na exploração petrolífera nas Malvinas. Além disso, alertou empresas estrangeiras instaladas na Argentina a se absterem de participar em atividades nas ilhas.

Além disso, nos últimos dois anos, o governo Kirchner reiterou em foros internacionais sua exigência de que Londres cumpra "o mandato da ONU" para "sentar à mesa de negociações com a Argentina" e discutir sobre a soberania das Malvinas.

A tensão entre Londres e Buenos Aires aumentou desde a semana passada, quando a BBC anunciou a chegada às Malvinas do navio de guerra da Marinha britânica HMS Clyde. Segundo a capitã do navio, Catherine Jordan, o Clyde, juntamente com o HMS York e o HMS Scott, formará o grupo de defesa que terá como missão "evitar que qualquer um que não seja bem-vindo entre nas águas das ilhas".C

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.