Britânicos desaprovam resposta do governo a onda de violência

Apenas polícia de Londres teve aprovação de mais da metade da população, indica pesquisa

estadão.com.br

10 de agosto de 2011 | 21h54

Boris Johnson, prefeito de Londres, conversa com moradores da capital britânica

 

LONDRES - As autoridades britânicas não responderam adequadamente à crise de violência que tomou o país desde a noite do sábado partindo de Tottenham, no norte de Londres, e se espalhando para outras regiões, indica uma pesquisa do instituto YouGov publicada nesta quarta-feira, 10. O levantamento aponta que mais da metade da população acha que as ações da prefeitura londrina foram ruins ou muito ruins.

 

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Os números do levantamento apontam que apenas 3% dos entrevistados considerou a resposta do prefeito Boris Johnson muito boa. Os que aprovaram de algum modo a ação somam 24%, muito abaixo dos 54% que desaprovaram. Na terça-feira, o prefeito foi vaiado durante uma vistoria em um dos bairros onde houve distúrbios e analistas dizem que as chances de ele ser reeleito agora são mínimas

 

Os índices do primeiro-ministro David Cameron e da secretária de Interior Theresa May são ainda piores. O modo como o premiê lidou com a crise foi reprovado por 57%, cifra próxima da registrada pela secretária - 58%.

 

A Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres) foi a única que foi aprovada pelos londrinos, mas por uma pequena margem. Segundo a pesquisa, 52% consideraram boa a resposta das forças de segurança, que tiveram seu contingente reforçado em 10 mil agentes na terça-feira, totalizando 16 mil policiais nas ruas.

 

Somente em Londres, mais de 800 pessoas foram presas por envolvimento na onda de violência. Destas, 251 já foram indiciadas formalmente. As autoridades informaram ainda que 113 pessoas foram detidas na zona de Manchester, 50 em Liverpool e 163 na área de West Midlands, sendo 109 destas em Birmingham. A capital viveu um dia mais calmo nesta quarta, mas as outras cidades ainda registraram incidentes e tumultos.

 

Na noite da segunda, uma pessoa morreu baleada em Croydon, no sul londrino. Nesta quarta, três muçulmanos de 21, 30 e 31 anos morreram atropelados por um carro que tentava escapar de uma rua onde ocorriam saques em Birmingham.

 

A onda de violência teve como estopim a morte de um vigia, baleado por policiais em Tottenham, no norte de Londres. Desde então os distúrbios cresceram e se espalharam, mas políticos e civis alegam que muitas pessoas se juntaram aos tumultos apenas para participar dos saques, no que se tornaram eventos de "vandalismo puro e sem razão". Algumas pessoas dizem que tais incidentes também são influenciados pelas condições financeiras ruins de alguns bairros da capital.

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