Britânicos fazem passeata gigante contra guerra ao Iraque

Mais de 150.000 britânicos, segundo apolícia, de todas as regiões, idades e classes sociais saíramneste sábado às ruas do centro de Londres para exortar oprimeiro-ministro Tony Blair e o presidente dos Estados Unidos,George W. Bush, a não invadirem o Iraque. Organizadoresestimaram o público em mais de 400.000 pessoas. Durante a passeata que começou nas margens do rio Tâmisa eseguiu até o Hyde Park, muitos dos manifestantes pararam paragritar na frente da residência oficial do premiê britânico, narua Downing número 10: "Tony Blair, vergonha, vergonha, nãomais assassinatos em meu nome". "Acreditamos que seria absolutamente imoral e incorreto ecriminoso se os EUA e a Grã-Bretanha atacarem o Iraque eprovocarem vítimas entre pessoas inocentes", disse à multidãoTony Benn, um ex-legislador trabalhista e veterano esquerdista."Não podemos permitir que isso aconteça". Tam Dalyell, que detém o título de pai da Câmara dos Comuns,afirmou que a confrontação com o Iraque é o mais perigosoimpasse mundial desde a crise dos mísseis de Cuba. "Estamos caminhando como sonâmbulos para um desastre",avaliou. Milhares de pessoas ainda saíam das estações do metrô nasproximidades do ponto de partida para se integrar à passeataquando a frente do protesto já havia chegado ao Hyde Park, a 1,6km de distância. A Scotland Yard avaliou que mais de 150.000 pessoasparticiparam da manifestação. A Coalizão Parem a Guerra, que ajudou a organizar a passeata,estimou que 400.000 compareceram ao protesto. Havia muitas famílias entre a multidão, pessoas empurrandobebês em carrinhos, gente de todas as idades e classes sociais. "Não seja intimidado por Bush", lia-se num cartaz. "Não àguerra pelo petróleo. Parem a máquina de guerra", afirmavaoutro. "O Iraque não é nosso inimigo, parem Bush", dizia um cartazescrito à mão carregado por Irial Eno, 12 anos, que participouda marcha com sua irmã, mãe e avó. Ela afirmou que não é justomatar iraquianos inocentes para derrubar seu líder. A mãe de Iral, Anthea Eno, disse que apoiaria um ataque aoIraque se houvesse o endosso da ONU, mas ela acredita que issonão irá ocorrer. Legisladores do próprio Partido Trabalhista, de Blair, liderama Coalizão Parem a Guerra, que organizou o evento junto com aAssociação Muçulmana da Grã-Bretanha. "As pessoas estão nas ruas para mostrar que nem todos osbritânicos têm o mesmo sentimento de Tony Blair", afirmou omanifestante Zoolfikar Beig. "Não queremos nenhum inimigo". A passeata também teve o objetivo de protestar contra aspolíticas de Israel na Cisjordânia e Faixa de Gaza, e muitosmanifestantes expressaram simpatias com a causa palestina."Parem os crimes de guerra israelenses", lia-se numa faixa. "Essas pessoas estão dizendo claramente duas coisas - não àguerra contra o Iraque, sim a um Estado palestino", explicouMichel Massih, presidente de um grupo chamado ComunidadePalestina. O prefeito de Londres, o trabalhista Ken Livingstone, disseque a confrontação com o Iraque está sendo motivada porinteresses mesquinhos. "Não trata-se da defesa do povo britânico ou dos interessesbritânicos. A questão é que políticos corruptos americanosquerem pôr as mãos no petróleo iraquiano", opinou. A polícia informou que apenas três pessoas foram detidas pordelitos menores, e que os manifestantes se dispersarampacificamente.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.