REUTERS/Neil Hall
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Britânicos inauguram amanhã era May, que deve selar saída da União Europeia

Com desistência de concorrente, conservadora vai suceder a Cameron amanhã e assumir a chefia do governo com a missão de cumprir o resultado do plebiscito de junho e retirar o país do bloco europeu; oposição pede novas eleições

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

12 de julho de 2016 | 05h00

Em meio à turbulência política e econômica, o Reino Unido conheceu ontem o nome de sua nova premiê. A atual ministra do Interior, Theresa May, venceu a disputa interna no Partido Conservador e vai suceder ao demissionário David Cameron a partir de amanhã. A missão mais urgente é a de iniciar o processo de desligamento da União Europeia, cumprindo decisão do plebiscito de junho. Novas eleições não estão descartadas.

A escolha de Theresa May encurta o ciclo de renovação dos tories, e com isso a definição do novo primeiro-ministro. A legenda tem a maioria no Parlamento e pode indicar o chefe de governo. A definição deu-se no pronunciamento de sua concorrente, a ministra do Meio Ambiente, Andrea Leadsom, que desistiu das prévias, marcadas para 9 de setembro.

Favorável ao Brexit – a saída do Reino Unido da UE –, Leadsom vinha enfrentando a pressão da imprensa e do próprio partido. No sábado ela comprometeu seu futuro político com uma entrevista ao jornal The Times na qual criticou May por não ter filhos. “Creio que ser mãe significa que você tem interesse real no futuro do país”, afirmou. Sem alternativa a não ser renunciar, ela elogiou a concorrente, “que está em posição ideal para realizar o Brexit”.

A desistência agitou o ambiente político. Cameron informou que fará hoje a última reunião de gabinete e confirmou que May assumirá as funções já amanhã, tão logo ele tenha apresentado a demissão à rainha Elizabeth. “Ela é forte, competente, mais hábil para prover a liderança que o país vai precisar nos próximos anos e terá todo o meu apoio”, afirmou Cameron na frente da Downing Street, 10, a sede do governo. “Vamos ter uma nova primeira-ministra neste prédio na quarta-feira à noite.”

Favorável à manutenção do Reino Unido na UE, May assumirá o país com a missão de levar o divórcio adiante, três semanas após 51,9% dos britânicos terem votado pelo Brexit. No primeiro pronunciamento, realizado em Birmingham, a nova premiê se disse honrada e enumerou as prioridades de seu governo: a retomada da confiança e a negociação com a UE, a pacificação política do país e a definição de uma nova visão estratégica pós-saída. A nova premiê descartou ainda a hipótese de convocar um novo plebiscito para confirmar ou não o desejo de romper com a UE. “Brexit significa Brexit, e vamos fazer dele um sucesso”, reiterou. “É assim que, juntos, vamos construir um Reino Unido melhor.”

Para Tim Bale, cientista político da Universidade Queen Mary, de Londres, a nova premiê assume um país dividido e com ambições contraditórias, como se manter no mercado europeu, sem receber trabalhadores estrangeiros. “Ela vai liderar um país que quer deixar a UE, mas ter acesso ao mercado único sem livre circulação de pessoas”, afirmou ao Daily Mail. “A ideia de que ela será capaz de satisfazer a todos é um exagero.”

Oposição. May também terá o desafio político de assumir o governo sem ter passado pelo crivo das urnas na condição de líder do Partido Conservador. Essa crítica foi feita por líderes dos principais partidos de oposição, o Trabalhista (Labour) e o Liberal-Democrata (Lib-Dem), que pediram a convocação de eleições. “Com a ‘coroação’ de Theresa May, nós precisamos de eleições gerais antecipadas. Os tories não têm mais mandato e os britânicos merecem mais do que isso”, afirmou Tim Farron, chefe dos lib-dems que tem como maior plataforma o retorno britânico à UE.

Apelo similar foi feito pelos trabalhistas cujo líder, Jeremy Corbyn, também é contestado. Horas após a definição dos tories, Jon Trickett, coordenador eleitoral da legenda, pediu “um primeiro-ministro eleito”. 

 

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