Britânicos pedem libertação de estrangeiros em Gantánamo

Tony Blair recebeu nesta terça-feira uma carta escrita por um garoto de dez anos de idade, cujo pai está preso em Guantánamo há quatro anos.Na carta, Anas el-Banna pedia ao primeiro-ministro que ajudasse o detento a conseguir sua liberdade. "Ele ainda está vivo? Só Deus sabe", escreveu o garoto em nome de seu pai, Jamil el-Banna, de 44 anos. "Tony Blair, você se importa se meu pai voltar ou ficar lá? Por favor me dê uma resposta".Hoje, cinco anos após os primeiros prisioneiros terem desembarcado na base naval no sudeste de Cuba, esforços estão a caminho para libertar oito estrangeiros, que como el-Banna vive na Inglaterra e continua encarcerado."Se ganharmos nosso caso na Câmara dos Lordes, significa que o governo britânico tem a obrigação de intervir pelos oito estrangeiros da Inglaterra que estão em Guantánamo", disse Zachary Katznelson, advogado dos detentos.Protestos pelo mundoManifestantes, vestindo macacões laranjas ao estilo de Guantánamo e máscaras de cirurgião, fizeram protestos nesta quinta-feira em diversos países do mundo. Em Londres, manifestantes formaram oito longas colunas em uma rua de Londres. Três "guardas vestindo camuflagem verde caminharam entre elas, gritando para que ajoelhassem ou ficassem de pé. Quando o protesto terminou, os protestantes fora à porta da embaixada batendo palmas e gritando "Fechem a baía de Guantánamo!"Cerca de 12 pacifistas norte-americanos fizeram uma passeata até os portões da base militar, um encrave dos EUA no leste de Cuba. "Prisão de Guantánamo, lugar de vergonha, chega de tortura em nosso nome", gritavam eles. "Se cães fossem tratados assim no meu país, haveria uma rebelião", disse Cindy Sherman, que se tornou uma das ativistas mais conhecidas dos EUA depois que seu filho foi morto no Iraque. O grupo deixou flores junto a uma cerca de arame farpado a cerca de sete quilômetros da base.Em Washington, cerca de cem pessoas exigiram o fechamento da prisão, diante da Suprema Corte. Larry Cox, da Anistia Internacional, disse que Guantánamo "se tornou um símbolo mundial para abusos aos direitos humanos e políticas inadequadas executadas em nome da guerra ao terrorismo. Isso trouxe vergonha à nossa nação".Em Melbourne, manifestantes se reuniram diante de prédios públicos para exigir que o governo obtenha a libertação de David Hicks, único australiano mantido em Guantánamo.A prisãoOs primeiros presos chegaram algemados, vendados e com macacões laranja logo depois do início da intervenção militar no Afeganistão em reação aos atentados de 11 de setembro de 2001.Mais de 770 suspeitos de ligação com os grupos Al Qaeda e Taliban já passaram por Guantánamo desde então, dos quais 395 permanecem e apenas 10 receberam acusações formais.A propósito do quinto aniversário, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu em Nova York que a prisão seja fechada. O presidente George W. Bush já admitiu que o local prejudica a imagem dos EUA, mas nada fez para acabar com isso. No ano passado, ele sancionou uma lei que proíbe aos presos de Guantánamo contestar sua detenção junto às cortes norte-americanas.

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