NIKLAS HALLE'N/AFP
NIKLAS HALLE'N/AFP

Britânicos preparam medidas para proteger coração de Londres

Alterações em Westminster mudarão cenário na região onde está o Parlamento e o Palácio de Buckingham

Célia Froufe CORRESPONDENTE / LONDRES, O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2018 | 05h00

Orgulhosos por manterem mudanças mínimas no cotidiano e na paisagem das cidades após atentados terroristas, os britânicos chegaram à conclusão de que terão de ceder mais. A primeira alteração mais drástica nas características urbanas começa a ser preparada no coração do poder do Reino Unido: Westminster

Autoridades estudam a retirada do tráfego de veículos da área perto do Parlamento depois do segundo ataque em um ano e meio este mês, uma ideia que ganhou o apoio do prefeito Sadiq Khan. Na região, estão as sedes de todos os poderes: além do Parlamento, há a residência oficial do primeiro-ministro, na Downing Street, a Suprema Corte, o Palácio de Buckingham e a Abadia de Westminster.

Diante do Parlamento, no dia 14, três pessoas ficaram feridas depois que um carro foi lançado contra barreiras dispostas para evitar atropelamentos intencionais. O motorista foi detido. Em março de 2017, outro atentado ocorreu na Ponte Westminster: Khalid Masood jogou um veículo contra pedestres, matando cinco, e esfaqueou um policial antes de ser morto a tiros. 

A partir de então, a segurança em Londres foi ampliada, com a colocação de grandes barreiras do lado de fora do Parlamento. Especialistas avaliaram que elas funcionaram para evitar uma tragédia maior no atentado do dia 14, mas afirmam que não podem ser uma solução de longo prazo. 

A chefe da polícia de Londres, Cressida Dick, disse que é preciso fazer uma avaliação cuidadosa sobre o tema, porque a cidade tem tráfego intenso e multidões o tempo todo. “Os terroristas querem que a gente mude completamente nosso modo de vida. Eles querem que tenhamos medo”, afirmou. 

Paliativo

Após ataques terroristas, a polícia costuma isolar a região para investigações. Assim que é reaberta, a área é tomada por milhares de turistas. 

O presidente da associação responsável pela colocação das barreiras, Paul Jeffrey, diz que a transformação de ruas em calçadão é uma das respostas ao crescente número de ataques com carros. “Mas não tenho certeza de que é uma boa coisa ceder aos terroristas”, afirmou. 

O nível de ameaça terrorista no Reino Unido é classificado como “severo”, o segundo mais alto dentro da escala, e significa que um atentado é “altamente provável”. Por isso, “alarmes falsos” causam pânico. Como em novembro, na estação de metrô de Oxford Circus, quando uma discussão banal entre duas pessoas fez com que o local fosse esvaziado por horas até a liberação da polícia.

Apesar do medo e de muitos acreditarem que a situação piorou nos últimos anos, de acordo com o Global Terrorism Database, 126 pessoas foram mortas em ataques terroristas no Reino Unido, entre 2000 e 2017. Entre 1985 e 1999, haviam sido 1.094 mortes e, entre 1970 e 1984, 2.221. O pior ano foi 1988, quando 372 pessoas morreram no país. Na época, os ataques estavam ligados à luta do Exército Republicano Irlandês (IRA) por independência.

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