Andrew Testa/The New York Times
Andrew Testa/The New York Times

Britânicos protestam contra a suspensão do Parlamento por Boris Johnson

Nos cartazes era possível ler frases como "Os democratas não amordaçam a democracia" ou "Acorda, Reino Unido! Ou bem-vindo à Alemanha de 1933"

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2019 | 04h15

LONDRES - Milhares de pessoas participaram neste sábado, 31, em dezenas de manifestações para denunciar a decisão do primeiro-ministro britânico Boris Johnson de suspender o Parlamento nas semanas prévias ao Brexit, manobras que muitos denunciam como "golpe de Estado".

De Manchester, na região noroeste da Inglaterra, a Edimburgo, na Escócia, passando por Belfast na Irlanda do Norte, a organização contrária ao Brexit "Another Europe is Possible" (Outra Europa é Possível) convocou mais de 30 protestos sob o slogan "Parem o golpe de Estado". A organização afirmou que "centenas de milhares" de pessoas saíram às ruas. A polícia não divulgou estimativas.

A maior concentração começou ao meio-dia em Londres, diante da residência do primeiro-ministro em Downing Street, onde a multidão gritava "Boris Johnson, vergonha!" e exibia bandeiras europeias.

Nos cartazes era possível ler frases como "Os democratas não amordaçam a democracia" ou "Acorda, Reino Unido! Ou bem-vindo à Alemanha de 1933".

Uma decisão "justa"

A decisão do conservador Johnson de suspender o Parlamento entre a segunda semana de setembro e 14 de outubro, duas semanas antes do Brexit, provocou uma onda de indignação no País.

Johnson, que chegou ao poder em julho após uma eleição interna do Partido Conservador, afirmou em entrevista publicada no domingo no Sunday Times, que adiar o Brexit não é uma opção. 

No Reino Unido, o primeiro-ministro em o direito de tomar tal decisão, o que acontece durante o período de congressos anuais dos partidos políticos em setembro. 

Mas a escolha do momento - com o Brexit previsto para 31 de outubro - e a longa duração de cinco semanas de recesso levaram os adversários de Johnson a denunciar uma manobra para impedir que evitem uma saída sem acordo da UE.

Semana política intensa 

As manifestações antecipam uma semana política intensa em Londres, onde o Parlamento voltará ao trabalho nesta terça-feira, 3. Três ações judiciais foram apresentadas contra a suspensão e os deputados tentarão evitar um Brexit sem acordo.

Também se contempla a possibilidade de uma moção de censura contra o governo, que só teria chances de aprovação com o apoio dos 10 deputados do ultraconservador partido norte-irlandês DUP.

O objetivo do governo é encontrar uma solução ao tema mais delicado: a salvaguarda irlandesa, prevista no Tratado de Retirada assinado pela antecessora de Johnson, Theresa May, com a UE para evitar um retorno da fronteira na ilha da Irlanda. AFP

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