Brooks é absolvida em caso de escutas no Reino Unido

Dois poderosos jornalistas britânicos encontraram destinos totalmente diferentes nesta terça-feira. Enquanto o ex-editor do tabloide News of the World Andy Coulson foi condenado no polêmico caso das escutas telefônicas, a sua companheira de trabalho Rebekah Brooks foi absolvida, depois de um longo julgamento que durou meses e escancarou as atividades ilegais que ocorriam no coração do império jornalístico de Rupert Murdoch.

AE, Agência Estado

24 de junho de 2014 | 12h40

Um júri baseado em Londres condenou por unanimidade Coulson, que além de editor do tabloide foi relações públicas do premiê britânico David Cameron, a dois anos de prisão culpado de conspirar para interceptação de mensagens de voz de celulares para espionagem. Brooks foi absolvida dessa acusação e das denúncias de subornar funcionários públicos e prejudicar o trabalho da polícia.

O julgamento que durou quase oito meses - um dos mais longos e caros da história da justiça britânica - foi desencadeado por revelações de que por anos o tabloide News of the World utilizavam escutas ilegais para obter furos jornalísticos, grampeando os celulares de celebridades, políticos e até mesmo vítimas de crimes.

O escândalo levou Murdoch a fechar o tabloide de 168 anos e estimulou investigações criminais em que dezenas de jornalistas e funcionários públicos foram presos.

O júri também absolveu o ex-editor-chefe do News of the World Stuart Kuttner das acusações de interceptar ligações. Três outros acusados - Charles, o marido de Rebekah, seu ex-secretário Cheryl Carter e o chefe de segurança da News International - foram absolvidos de corromper o curso da justiça ao tentar ocultar provas da polícia.

Os réus ficaram em silêncio ouvindo a representante do júri, que teve 11 membros, anunciando o veredicto. Coulson não demonstrou emoção quando ele foi declarado culpado.

Brooks disse "obrigado" logo depois de ter sido inocentada de todas as acusações, e trocou um olhar com Carter, que estava de pé ao seu lado no banco dos réus. Após o veredicto, ela e o marido deixaram o tribunal sem falar com jornalistas.

O júri, que ainda irá se reunir por mais oito dias, irá considerar duas outras acusações de suborno de funcionários públicos para ter acesso aos telefonemas reais contra Coulson e o ex-editor Clive Goodman.

Brooks e Coulson, ambos de 46 anos, foram acusados de conspirar, junto com Kuttner, para interceptar ligações telefônicas de fontes entre 2000 e 2006. Ela editou o News of the World de 2000 a 2003 com Coulson como seu subeditor - período em que também tiveram um caso extraconjugal, o que foi revelado durante o julgamento. Com a saída de Brooks, Coulson assumiu como editor, antes de se tornar chefe de comunicações de Cameron.

Todos os réus negaram irregularidades. Os promotores argumentaram que os editores seniores do News of the World sabiam da interceptação das ligações, mas apenas Coulson foi condenado pelo júri.

O veredicto coloca mais pressão sobre Cameron, que empregou Coulson após dois ex-empregados do News of the World denunciarem a existência de grampos telefônicos em 2007. O ex-editor somente foi demitido em 2011, quando a polícia reabriu o caso.

Hoje, o premiê britânico pediu desculpas pela contratação de Coulson. "Foi uma decisão errada e eu estou muito claro disso", disse Cameron. Fonte: Associated Press.D

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