Brown anuncia retirada de metade das tropas britânicas no Iraque

A partir de março, só 2.500 dos 5 mil soldados britânicos ficarão no país; governo estuda retirada total até o fim de 2008

AP, NYT E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

09 de outubro de 2007 | 00h00

A Grã-Bretanha irá cortar pela metade suas tropas no Iraque e pode retirar todos os militares até o fim de 2008. O anúncio do corte foi feito ontem pelo primeiro-ministro Gordon Brown. Segundo ele, a partir de março, o contingente será reduzido de 5 mil para 2.500 soldados. Enquanto Brown discursava no Parlamento, centenas de pessoas protestavam contra a guerra do lado de fora e pediam a retirada das tropas. Um funcionário do governo britânico afirmou ontem, sob anonimato, que não está descartada a possibilidade de retirar todo o contingente do Iraque até o final do ano que vem. "Não há garantias de que eles (os soldados britânicos) estarão lá após o fim de 2008", disse.Brown afirmou que a retirada dos 2.500 soldados é viável diante do progresso alcançado no treinamento das forças iraquianas. Ele descreveu como "calma" a situação em Basra - região no sul do Iraque onde se concentram os britânicos. "Os iraquianos estão prontos para assumir a responsabilidade da segurança", disse o premiê.Durante uma visita ao Iraque na semana passada, Brown já havia anunciado que 500 soldados voltariam para a casa até o fim do ano. O contingente de 2.500 que permanecerá no Iraque será responsável pelo treinamento de novos soldados iraquianos. Outros 500 soldados serão transferidos para bases de apoio no Oriente Médio, provavelmente no Kuwait.Principal aliado dos EUA na guerra, a Grã-Bretanha enviou 45 mil soldados para o Iraque durante a invasão em 2003. Cerca de 7 mil militares permaneceram no país, principalmente em áreas xiitas, ricas em petróleo. Desde o início do conflito, 170 soldados britânicos já morreram no Iraque.Ao determinar a extensão no corte das tropas, Brown levou em conta a pressão feita por, basicamente, três frentes: o eleitorado britânico, que em sua maioria se opõe à guerra e vem pressionando o governo pela retirada; o comando militar do país, que já havia reclamado sobre a presença no Iraque; e a Casa Branca. Com o anúncio de ontem, segundo analistas, Brown pretende recuperar o apoio da população e do Exército. Outra intenção seria a de distanciar-se de seu antecessor, Tony Blair, que teve sua popularidade atingida ao se aliar aos EUA na invasão ao Iraque. Em relação aos EUA, a chancelaria britânica afirmou ontem que o corte de tropas foi discutido em detalhes com os militares americanos. "É um número (2.500 soldados) com o qual o general David Petraeus (principal comandante dos EUA no Iraque) está satisfeito", disse um funcionário do governo britânico, sob condição de anonimato. INTÉRPRETESEm seu discurso na Câmara dos Comuns, Brown também revelou planos para ajudar os iraquianos que trabalharam com as tropas britânicas, especialmente os intérpretes. Com a retirada, muitos deles podem ser perseguidos e mortos por milícias, que os acusam de "trabalhar para os invasores". Para lidar com o problema, Brown disse que os funcionários que trabalharam por mais de 12 meses com as tropas britânicas poderão se inscrever em um programa de ajuda financeira, para se mudarem para outros lugares no Iraque, na região e, de acordo com as circunstâncias, até na Grã-Bretanha.?FIM À GUERRA?Em Londres, a polícia prendeu quatro pessoas durante um protesto pela retirada das tropas do Iraque. Gritando slogans como "Nem mais uma morte", centenas de manifestantes marcharam da Trafalgar Square até o Parlamento - onde Brown discursava sobre a política externa do país.

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