Brown perde apoio histórico do ''The Guardian''

Jornal britânico, de tendência progressista, defende uma ampla reforma eleitoral no país e diz preferir os liberais, liderados por Nick Clegg

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2010 | 00h00

O naufrágio da candidatura do Partido Trabalhista nas eleições britânicas do dia 6 parece uma questão de tempo. Depois de cometer uma gafe desastrosa durante a campanha e ser derrotado em todos os três debates televisivos, o primeiro-ministro, Gordon Brown, perdeu ontem o apoio histórico do jornal The Guardian, referência do pensamento progressista da Grã-Bretanha. Para o diário, que abriu voto em favor de Nick Clegg, "é chegada a hora dos liberais".

O apoio a um candidato é uma tradição no jornalismo britânico - assim como no americano. Em editorial, o Guardian defendeu sua escolha apontando uma bandeira histórica comum a Clegg: a reforma do sistema eleitoral, o abandono do voto distrital e a adoção do voto proporcional, que atribuirá a maior bancada no parlamento ao partido com mais votos.

"A representação proporcional daria ao país o que lhe falta há muito tempo: um Parlamento que seja um verdadeiro espelho desta nação pluralista", diz o editorial. Afirmando que "o momento liberal chegou", o jornal sustenta ainda que David Cameron, do Partido Conservador, tem o mérito de ter "confrontado seus colegas de partido e deixado claro que eles estavam em descompasso com o resto do país".

Ataque. Apesar disso, entre Cameron e Brown, o jornal diz preferir a manutenção do Partido Trabalhista no poder. "Se esta eleição fosse uma luta apenas entre trabalhistas e conservadores - o que ela absolutamente não é -, o país estaria mais seguro nas mãos dos trabalhistas do que dos conservadores."

Em entrevista ao jornal, Nick Clegg voltou a se posicionar como uma alternativa aos dois partidos mais tradicionais do país. Sobre Brown, afirmou ter "tomado o lugar dos trabalhistas na política da Grã-Bretanha". Clegg também não poupou Cameron. "Em termos de DNA, o Partido Conservador é hoje o partido dos interesses particulares na política."

O inferno astral de Brown, começou na terça-feira, quando ele foi flagrado por microfones dizendo que uma eleitora era "intolerante". As más notícias continuaram ontem. Depois de uma participação consistente, mas muito impopular, no último debate dos candidatos ao cargo de premiê, na rede BBC, ele caiu ainda mais nas pesquisas de opinião.

Segundo sondagem do instituto YouGov, feita para o jornal The Sun, David Cameron, do Partido Conservador, tem 34% das intenções de voto. Brown está em terceiro, com 27%, um ponto atrás de Clegg, do Partido Liberal-Democrata.

Segundo analistas, a diferença é suficiente para dar aos conservadores a maior bancada no Parlamento. Se a hipótese se confirmar e não houver coalizão entre seus opositores, Cameron terá o direito de montar um governo de minoria.

Apoio. Ontem, o atual premiê recebeu o apoio - controverso - de seu antecessor, Tony Blair. "Não acho que ele fracassou", disse o ex-premiê. "Se as pessoas olharem direito, verão uma pessoa completamente a par dos fatos." Já Cameron prometeu retirar as tropas britânicas do Afeganistão durante seu primeiro mandato.

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