''Bruxa'' disputa vaga com ''marxista barbudo''

No meio do caminho entre Washington e Nova York, o Estado de Delaware pode ser resumido como o palco de disputa eleitoral entre a "bruxa" e o "marxista barbudo". Os termos deram graça à campanha local pela vaga deixada pelo vice-presidente americano, o democrata Joe Biden, no Senado. Os dois estereótipos, entretanto, partiram de iniciativas da candidata republicana Christine O´Donnell.

, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2010 | 01h00

"Eu não sou bruxa. Eu sou você." O slogan de campanha escolhido por Christine, que se diz profissional de marketing, tenta contornar uma de suas confissões mais embaraçosas. Em 1998, no programa de televisão Politicamente Incorreto, a atual candidata republicana confessou ter participado de sessões de bruxaria com as amigas de adolescência. Durante a campanha, as gravações foram expostas pelas grandes redes de televisão americanas. "Era uma brincadeira", justificou recentemente, diante da reação do eleitorado.

O candidato democrata, Chris Coons, não tocou nessa questão nos seus dois debates com Christine na semana passada. Aos 47 anos, Coons foi prefeito do distrito de New Castle e traz larga bagagem política e empresarial, mas pouco carisma. Preferiu explorar a inexperiência política da adversária, acentuada pelas declarações superficiais de Christine sobre os desafios do país nas áreas econômica, de defesa e educação - temas sobre os quais o Senado americano tem competência de tomar decisões. Coons, entretanto, não teve alívio do outro lado.

Christine lembrou o apelido que Coons recebera na juventude de seus colegas de universidade: "marxista barbudo". O democrata teve de explicar que, embora tenha crescido em uma família republicana, mudou suas convicções políticas ao fazer uma viagem ao Quênia. O apelido fora dado por seu colega de quarto na universidade. "Não sou um marxista barbudo. Sou um capitalista escanhoado", insistiu.

Christine ainda constrangeu seu adversário ao acusar uma das empresas de sua família de receber benefícios fiscais indevidos em programas de incentivo à energia limpa. Mas, quando questionada pela mediadora do debate por que adotara o slogan "não sou bruxa", falou sobre vários temas, mas não respondeu a pergunta.

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