Buffet fala para acionistas após diagnóstico de câncer

O presidente e executivo-chefe do fundo de investimentos Berkshire Hathaway, Warren Buffett, e seu vice, Charlie Munger, participaram neste sábado da reunião anual dos acionistas da companhia, na cidade de Omaha, no Nebraska.

AE, Agência Estado

05 Maio 2012 | 19h21

Durante mais de cinco horas, eles responderam perguntas dos acionistas da empresa, de jornalistas e de analistas. Foi a primeira vez que Buffet falou aos acionistas após ter revelado que tem câncer de próstata, em estágio inicial.

Por essa razão, ele tentou acalmar os acionistas quanto à sua sucessão. Buffet disse que uma de suas funções mais importantes como dirigente do Berkshire é gerir riscos e assegurar que a empresa não seja exposta a problemas catastróficos e que seu sucessor também terá esse encargo.

Segundo ele, a diretoria da empresa nunca escolheria um executivo-chefe que não tivesse as habilidades necessárias para avaliar as complicadas transações envolvendo seguros e derivativos das quais às vezes o Berkshire participa. Buffet afirmou que seu sucessor manterá a cultura da companhia. "Vocês não precisam se preocupar com o meu sucessor", afirmou ele.

Sobre investimentos, o magnata disse que com as atuais taxas de juros "eu evitaria totalmente a compra" de títulos do governo, a não ser as notas de curto prazo. Ele declarou também que é bobagem pensar que ofertas públicas iniciais de ações apresentam preços atraentes, já que muito esforço foi feito para promover esses papeis.

Já Munger lembrou que os investidores devem prestar atenção no tipo de comissão que um corretor ganha em cada tipo de investimento. "Se foi uma comissão realmente alta, nem perca tempo analisando a proposta."

No que diz respeito à economia global, Buffet falou sobre a dívida da Europa e declarou que "eu não sei como ela termina". O bilionário disse que se pergunta a respeito dos efeitos de longo prazo da decisão do Banco Central Europeu (BCE), no final do ano passado, de estender para ? 1 trilhão o refinanciamento para os bancos. Ele afirmou que preferiria ver "um mundo que colocasse as questões fiscais em ordem", mas que, por outro lado, as fracas economias ao redor do mundo não suportariam uma medida como essa no momento. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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