Bulgari se junta ao boicote de pedras preciosas de Mianmar

A italiana Bulgari acrescentou seu nome àlista de joalherias que estão boicotando pedras preciosas deMianmar, após a repressão aos protestos pró-democraciapromovida pelos governantes militares do país. A terceira maior joalheria do mundo anunciou naquinta-feira que pediu a seus fornecedores que declarem aorigem das pedras que fornecem, acrescentando que deixou deadquirir pedras originárias de Mianmar (ex-Birmânia) "algumtempo atrás". "Embora a empresa nunca tenha comprado pedras diretamenteem Mianmar, mas apenas nos mercados internacionais, elasolicitou expressamente de seus fornecedores a garantia deorigem geográfica de cada pedra preciosa", disse a Bulgari emcomunicado. A iniciativa da joalheria sediada em Roma se dá depois deos 27 membros da União Européia terem decidido, este mês,endurecer as sanções já em vigor contra Mianmar e estudar aproibição de importação e investimentos em setores chaves,incluindo o das pedras preciosas. As sanções serão discutidas pelos ministros das RelaçõesExteriores dos países da UE que vão se reunir em Luxemburgo nasegunda-feira. O anúncio da Bulgari vem após o da Cartier, que declarouter parado de comprar pedras preciosas, como rubis e safiras,que possam ter sido obtidas de Mianmar e ordenado a seusfornecedores que confirmem que as pedras não são origináriasdesse país. A Tiffany & Co deixou de comprar rubis de Mianmar em 2003,quando o Congresso norte-americano proibiu as importações dessepaís. A proibição inclui uma brecha que autorizava a importaçãode pedras preciosas de Mianmar se elas fossem lapidadas emoutro país. No mês passado, os dirigentes militares de Mianmar enviaramtropas para reprimir os maiores protestos pró-democracia emquase 20 anos, prendendo dezenas de pessoas. A imprensa oficialdiz que dez pessoas morreram na repressão, mas, para osgovernos ocidentais, o número de mortos pode ser maior.

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