Bulgária elege novo presidente em clima de desilusão política

A Bulgária realiza suas eleições presidenciais neste domingo num clima de crescente desilusão popular com a política, que pode se refletir numa abstenção sem precedentes, e assim forçar um segundo turno entre o atual chefe de Estado e um candidato da extrema direita.Mais de 6,4 milhões de búlgaros foram chamados às urnas para escolher o novo presidente do país, em um dos 11.700 colégios eleitorais que abriram suas portas às 06h (meia-noite em Brasília) e fecharão às 19h (13h em Brasília).Todas as pesquisas dão como certa a vitória do presidente Georgi Parvanov. Mas a previsão é de participação de menos de 50% dos eleitores. Por isso, ele deverá enfrentar no segundo turno o líder do partido Ataka ("Ataque"), o extremista Volen Siderov, considerado o "Le Pen" búlgaro.Segundo a lei eleitoral búlgara, qualquer que seja o resultado do primeiro turno, se a participação ficar abaixo de 50% será necessário o segundo turno, uma semana mais tarde, entre os dois candidatos mais votados.Os resultados, sejam oficiais parciais ou de pesquisas de boca-de-urna, não poderão ser divulgados antes das 20h horas (14h em Brasília) deste domingo. Mas a agência de notícias Focus publicou esta semana uma lista de livros que simbolizarão os candidatos para camuflar assim suas pesquisas, que serão apresentadas como se fossem listas dos livros mais vendidos.Assim, O Nome do Rosa, de Umberto Eco, representará o atual presidente; O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, o conservador Beronov, que com 78 anos é o mais velho dos candidatos; e Mein Kampf, escrito em 1924 por Adolf Hitler, simbolizará o ultranacionalista Siderov. Sete candidatos, e um favoritoSete candidatos concorrem para estas eleições presidenciais. O favorito entre eles é o atual presidente socialista, Georgi Parvanov, um historiador de 49 anos e que já levou o país à Otan em 2004, que busca um segundo mandato como candidato independente. No entanto, se menos da metade eleitorado votar hoje, Parvanov deverá ir para o segundo turno no próximo domingo, junto com o segundo candidato mais votado, provavelmente o líder do ultranacionalista partido Ataka (Ataque), Volen Siderov, um jornalista de 50 anos.Segundo analistas locais, a mera passagem para o segundo turno de Siderov, conhecido por seus ataques verbais contra as minorias turca e cigana no país, seria uma vergonha para o país. Muitos temem os prejuízos à imagem da Bulgária, pouco antes da sua incorporação à União Européia, em janeiro.O terceiro candidato com possibilidades é o ex-presidente do Tribunal Constitucional da Bulgária, Nedelcho Beronov. Ele representa cinco partidos da fragmentada direita búlgara, e deverá receber 19% dos votos.

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