Burkina Fasso nomeia coronel como líder transitório

Ele substituirá o general do Exército Honore Traore, que reivindicou o poder logo após a renúncia do presidente Blaise Compaore, que estava no poder há 27 anos

O Estado de S. Paulo

01 de novembro de 2014 | 13h37

UAGADUGU O Exército de Burkina Fasso indicou um coronel como líder transitório para o país, neste sábado, após o presidente da nação do Oeste da África Blaise Compaore renunciar em meio a protestos violentos contra sua permanência no poder.

O coronel Isaac Yacouba Zida foi nomeado por unanimidade para liderar Burkina Fasso, disse o Exército, em um comunicado. "O período de transição, sua forma e duração serão determinados mais tarde", depois de conversar com outras pessoas no país, afirmou o coronel na declaração assinada após uma encontro entre altos oficiais e o chefe-adjunto de funcionários.

Zida tinha dito mais cedo, neste sábado, que lideraria a transição do país de volta à democracia em um comunicado gravado e publicado no site da estação nacional de televisão. "Enquanto nós esperamos para definir uma maneira consensual, com todo os partidos políticos e organizações de sociedades civis, os contornos e a composição dessa transição democrática pacífica, eu assumirei, a partir de hoje, as responsabilidades da chefia dessa transição e de chefe de Estado", afirmou o coronel.

Horas antes, logo após a renúncia de Compaore, que estava no poder há 27 anos, o general do Exército, Honore Traore, anunciou rapidamente que estava assumindo o cargo deixado pelo presidente.

Quando renunciou, Compaore afirmou que uma eleição seria realizada em 90 dias, mas Zida disse que "extensão e composição do corpo transitório seriam decididas mais tarde".

Ontem, manifestantes contrários ao governo de Compaore se reuniram em Uagadugu, capital de Burkina Fasso, um dia depois de manifestações violentas levarem o presidente a concordar em deixar o cargo no próximo ano, após o período de transição. Os manifestantes invadiram o Parlamento na quinta-feira para evitar que os parlamentares votassem uma medida constitucional para permitir que Compaoré conseguisse mais um mandato. Em resposta, foi declarado estado de emergência, os militares anunciaram a dissolução do Parlamento e prometeram um governo interino que incluísse todas as partes. Compaore afirmou que iria liderar o governo de transição até as eleições do próximo ano e, em seguida, abandonaria o poder.

A rápida sucessão dos eventos pegou muitos de surpresa, visto que Campaore tinha conseguido vencer seus adversários por muito tempo e tinha se tornado nos últimos anos um importante mediador regional. Burkina Fasso acolhe as forças especiais francesas e é um importante aliado da França e os Estados Unidos na luta contra militantes islâmicos na África Ocidental.

No entanto, o presidente francês, François Hollande, "saudou" rapidamente a decisão de Compaore de renunciar. Já a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Jen Psaki, pediu eleições democráticas em Burkina Fasso. "Nós condenamos qualquer tentativa de militares, ou de outros partidos, de se aproveitar da situação para ganhar poder inconstitucionalmente", disse Psaki em um comunicado emitido na sexta-feira. Ela pediu também que todos os partidos respeitem a participação da população no processo democrático. / ASSOCIATED PRESS 

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