REUTERS/Goran Tomasevic
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Burundi diz ter prendido líder de golpe de Estado fracassado

Porta-voz do governo confirmou que ex-general e três militares da ativa foram detidos e serão julgados; população promete ir às ruas para novos protestos contra o presidente Pierre Nkurunziza

O Estado de S. Paulo

15 de maio de 2015 | 10h08

BUJUMBURA - Forças do Burundi prenderam nesta sexta-feira, 15, o líder de um golpe de Estado fracassado, informou o porta-voz do presidente Pierre Nkurunziza, mas manifestantes contrários ao mandatário disseram que vão voltar às ruas, criando o cenário para novos confrontos.

O general Godefroid Niyombare foi capturado dois dias depois de anunciar que Nkurunziza havia sido deposto, afirmou o porta-voz do governo Gervais Abayeho.

“Ele foi preso. Não se rendeu”, disse Abayeho à Reuters. Mais cedo, Abayeho havia dito que três outros generais haviam sido presos, mas que Niyombare ainda estava à solta. Indagado sobre o destino dos golpistas, Abayeho afirmou que a questão cabe ao sistema de Justiça: “Eles serão responsabilizados”.

O representante disse que o presidente partiu de sua casa, localizada em uma província do interior, rumo à capital Bujumbura. Autoridades declararam que ele voltou ao Burundi na quinta-feira depois de participar de uma cúpula na Tanzânia.

Soldados leais a Nkurunziza parecem ter tido sucesso em deter o golpe de Estado no mesmo dia, quando houve combates e disparos de armas fogo nas ruas da capital.

A tentativa de deposição do presidente ocorreu mais de duas semanas depois de manifestações violentas de opositores, que sustentam que Nkurunziza violou a Constituição e o acordo de paz que pôs fim à guerra civil em 2005 ao buscar um terceiro mandato de cinco anos.

Fugas. Mais de 105 mil pessoas fugiram de Burundi para Tanzânia, Ruanda e República Democrática do Congo após a tentativa fracassada de golpe e protestos no país, informou a Agência da ONU para Refugiados (Acnur) nesta sexta-feira.

A vizinha Tanzânia recebeu 70.187 burundineses, enquanto Ruanda recebeu 26.300 e 9.183 estão na província de Kivu do Sul, na República Democrática do Congo, informou o a Acnur.

Autoridades tanzanianas relatam que 50 mil burundineses ou "possivelmente ainda mais" estão vivendo às margens do rio Tanganyika, disse a porta-voz do Acnur Karin de Gruijl. / REUTERS

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