Busca de nova resolução marca mudança de posição dos EUA

Confrontado com a resistência da maioria dos quinze países membros do Conselho de Segurança da Nações Unidas e com as maiores manifestações públicas anti-guerra vistas desde o conflito do Vietnam, o governo dos Estados Unidos decidiu neste fim de semana que dará mais tempo para a diplomacia, na negociação com o Iraque, mas deu continuidade aos preparativos para a guerra.Representantes da administração Bush indicaram que se empenharão na aprovação de uma nova resolução do Conselho de Segurança estabelecendo um prazo final para que o regime de Bagdá cumpra com a resolução 1441. Segundo fontes da Casa Branca, Washington deve apresentar o projeto de resolução no início desta semana e usará o documento para pressionar "os membros do Conselho de Segurança a assumir suas responsabilidades". Embora o tom estridente e polarizador do discurso americano não tenha se alterado, a decisão de buscar uma nova resolução representa uma mudança significativa de postura e mostra que há, na administração, um reconhecimeto da dificuldade política que os EUA enfrentam para levar adiante seu projeto de derrubar o regime de Saddam Hussein e desarmar o Iraque "de um jeito ou de outro", como disse o presidente George W. Bush, na última sexta-feira.Até agora, Washington dizia que uma segunda resolução seria bem-vinda mas não era necessária, porque a resolução da briga com o Iraque pela força já estava prevista numa frase no final da resolução 1441, que adverte Bagdá para as "sérias conseqüências" que enfrentará se não acatar à ordem de desarmar-se dada pelo Conselho de Segurança.Oposição A evolução da posição americana deve-se em grande parte a apelos dos mais fiéis aliados dos EUA na campanha anti-Saddam, especialmente a Inglaterra e a Turquia. Depois de ver seu pedido para a preparação de um plano defensivo rachar a Organização do Tratado do Atlântico Norte e multiplicar a oposição da opinião pública à sua postura de apoio às estratégia americana, o governo turco informou Washington, no fim de semana, que não deve esperar autorização imediata para o uso de bases em seu país para uma ação armada contra o Iraque.A Inglaterra e a Itália, dois dos governos europeus que apóiam a estratégia de Bush, assistiram no sábado às maiores manifestações realizadas nas últimas décadas nas ruas de Londres e de Roma. Repudiado por uma opinião pública majoritariamente hostil ao ardor com que abraçou e defende a estratégia de Bush, o primeiro-ministro Tony Blair tem investido seu capital de credibilidade junto à administração americana para batalhar por uma nova resolução da ONU, que autorize e legitime um ataque.Duas semanas atrás, Blair passou a insistir com o presidente americano para que ele busque o aval do Conselho de Segurança ao uso da força. No sábado, um porta-voz britâncio disse que a proposta apresentada na França para que o Conselho de Segurança volte a se reunir novamente em 14 de março pode ser aceitável se resultar numa decisão clara. A aceitação do plano francês significa que, ao menos por ora, vence o campo que pede mais tempo para que as inspeções possam produzir o resultado de desarmar o Iraque. Sandy Berger, o ex-conselheiro de Segurança Nacional da administração Clinton, disse no sábado que "os EUA não precisam dos aliados para uma guerra contra o Iraque, mas necessitarão muito deles para a paz".

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