Busca por paz na Síria depende de acordo sobre armas

As perspectivas sobre o reinício das negociações de paz para pôr fim a dois anos e meio de guerra civil na Síria dependem de o governo do país entregar suas armas químicas, afirmaram nesta sexta-feira o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, no segundo dia de diálogo entre as potências na busca por uma solução para o caso.

AE, Agência Estado

13 de setembro de 2013 | 18h01

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou-se esperançoso em relação ao resultado das negociações com a Rússia. Qualquer acordo que remova o arsenal de armas químicas da Síria "precisa ser verificável e aplicável", argumentou Obama nesta sexta-feira ao receber na Casa Branca o emir do Kuwait, xeque Sabah Al Ahmed Al Sabah.

Por sua vez, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, comentou hoje que a decisão da Síria de aderir à Convenção de Armas Químicas é um passo importante rumo à solução da crise sobre uma possível intervenção militar internacional no país, segundo a agência de notícias Interfax.

Enquanto isso, a Organização das Nações Unidas (ONU) pediu à Síria mais informações sobre o pedido do país para se tornar signatário da Convenção de Armas Químicas, adiando a adesão ao documento, afirmou Farhan Haq, porta-voz da entidade.

A Síria apresentou a documentação à ONU na quinta-feira como parte de um plano para evitar um ataque militar contra o governo do presidente Bashar Assad, por causa das acusações de uso de armas químicas.

"Estamos em contato com o governo sírio sobre seu requerimento. Estamos tentando obter algumas informações adicionais para que o processo de adesão seja concluído", declarou Farhan Haq. Ele se negou a dizer que informação está faltando no processo.

A Síria é um dos sete membros da ONU que se recusou a aderir à convenção de 1993 que proíbe a produção e estoque de armas químicas.

O governo de Assad anunciou que vai assinar o tratado na medida em que enfrenta crescente ameaça de um ataque militar dos Estados Unidos. A Rússia propôs um plano para colocar o arsenal químico sírio sob controle internacional.

Os Estados Unidos e outros países ocidentais acusam as forças de Assad de lançar um ataque com gás sarin na madrugada de 21 de agosto em Ghouta, nas proximidades de Damasco. O governo culpa a oposição rebelde pelo ataque, que deixou centenas de mortos.

Ao mesmo tempo, o chefe dos inspetores de armas químicas da ONU, Ake Sellstrom, afirmou hoje à Associated Press que sua equipe já concluiu o relatório sobre o ataque de 21 de agosto e disse que o documento será entregue ao secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, no fim de semana em Nova York.

Em conversa por telefone com a Associated Press, Sellstrom disse não saber com exatidão quando o relatório será divulgado ao público, já que a decisão cabe a Ban, mas confirmou que o documento está pronto. Ele se recusou a falar sobre as conclusões dos inspetores.

Pouco antes, Ban declarou que os especialistas da ONU irão confirmar que armas químicas foram realmente usadas em Ghouta. Embora o relatório não vá indicar quem realizou o ataque, Ban disse ainda que o presidente da Síria, Bashar Assad, "cometeu vários crimes contra a humanidade".

Os inspetores liderados por Sellstrom foram incumbidos de determinar se agentes químicos foram usados no ataque em Ghouta, que deixou centenas de mortos, sem necessariamente apontar um responsável pelo massacre.

Ban falou sobre o uso de armas químicas em um encontro com um grupo de mulheres. Ele não sabia que o evento estava sendo televisionado. Fonte: Dow Jones Newswires e Associated Press.

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