Buscando reconhecimento, palestinos aprovam novo gabinete

O Parlamento da Autoridade Nacional Palestina (ANP) aprovou neste sábado, 17, por maioria esmagadora, uma nova coalizão de governo formada por membros dos grupos rivais Fatah e Hamas. Apesar da vitória interna, os palestinos terão agora que convencer uma cética comunidade internacional de que o novo Executivo respeitará as condições para o cancelamento de um boicote imposto contra a ANP.Dos 91 legisladores presentes na sessão, 83 votaram a favor da proposta, três contra e cinco se abstiveram. A Noruega foi o primeiro país ocidental a anunciar que reconhecerá o novo Executivo. Segundo o novo ministro da Informação palestino, que deu a notícia durante uma entrevista coletiva após a votação no Parlamento, o governo norueguês garantiu também que negociará com o gabinete. Os legisladores aplaudiram e comemoraram quando o resultado da votação foi anunciado. Embora conte com 132 representantes, apenas 91 estavam presentes na sessão, uma vez que 41 encontram-se presos em Israel.Apresentando o programa de governo ao Parlamento, o primeiro-ministro, Ismail Haniye, disse que a nova coalizão busca formar um Estado palestino nas terras ocupadas por Israel durante a Guerra do Oriente Médio. Ele afirmou que os palestinos se reservam o direito de resistir à ocupação, mas que procurarão estender uma trégua firmada com o governo israelense.Com uma mensagem considerada contraditória, a nova plataforma parece passar ao largo das exigências da comunidade internacional para o reconhecimento do novo governo, o que incluía a aceitação de Israel e a renúncia à violência. Atender a essas reivindicações é a condição do Quarteto de Madrid (EUA, UE, ONU e Rússia) para que as sanções impostas ao governo palestino sejam levantadas. A ANP não tem recebido importantes verbas de ajuda internacional e o repasse de impostos retidos por Israel desde que o grupo islâmico Hamas assumiu o poder, no início do ano passado. Neste sábado, Israel reiterou que não negociará com o novo governo. Já uma importante autoridade da ONU mostrou flexibilidade. "Trata-se de um passo importante na direção certa", disse o enviado para o Oriente Médio Alvaro de Soto, que acompanhou a sessão. "Nós assistiremos com interesse como esse novo programa será implementado."

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