Bush abre caminho para os EUA lutarem na Colômbia

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, abriu caminho para a participação militar dos EUA na luta contra as guerrilhas, ao pedir no Orçamento para o ano fiscal de 2003 fundos para o treinamento de unidades que protejam o oleoduto colombiano. O oleoduto, que transporta 115.000 barris diários de petróleo destinados quase totalmente ao mercado norte-americano, sofreu 170 ataques no ano passado por parte das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN).O projeto de orçamento, encaminhado pelo governo ao Congresso nesta segunda-feira, pede também a dotação US$ 731 milhões para a campanha antidrogas e o desenvolvimento econômico na região andina, mais Brasil e Panamá. Esse montante, contido na Iniciativa Andina Antinarcóticos (IAA), é o mesmo que Bush pediu no orçamento do ano fiscal 2002, que termina em setembro - e do qual o Congresso acabou cortando, no final, US$ 106 milhões, deixando-o com 17% a menos. Esta é a primeira vez em que o governo de Washington faz menção formal a uma intervenção militar para preparar unidades que protejam um objetivo das guerrilhas. Até agora havia dito apenas que o papel dos EUA na Colômbia era a preparação de unidades colombianas para a luta antidrogas. A participação militar foi insinuada pelo presidente Andrés Pastrana em uma visita a Washington em novembro, afirmando que as guerrilhas - consideradas como grupos terroristas - tinham um forte vínculo com o tráfico de drogas. Pastrana expressou, no entanto, sua rejeição a uma intervenção militar direta dos EUA. O projeto orçamentário considera a luta contra o terrorismo como primeiro objetivo da ajuda internacional americana, que será de US$ 24,3 bilhões, US$ 1 bilhão a mais do que em 2002. As Farc, o ELN e o grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) são considerados como organizações terroristas pelo Departamento de Estado, o setor que canaliza toda a ajuda externa norte-americana. Em sua luta contra o terrorismo internacional, Bush prometeu combater os grupos teerroristas em todo o mundo e os países que promovam ou protejam o terrorismo. No Orçamento para 2003, Bush pede que a ajuda para a Colômbia, da qual não abre mão, se estenda às brigadas antinarcóticos no sul desse país, e "se inicie o treinamento de novas unidades para proteger a linha da vida econômica colombiana: o oleoduto". O oleoduto e as jazidas colombianas são explorados de maneira conjunta pela empresa norte-americana Occidental Petroleum e a corporação local Ecopetrol. Um dos ataques provocou a suspensão do bombeamento do combustível durante seis meses.

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